Atividade industrial deve desacelerar em 2011
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Eduardo Rodrigues<br>Agência Estado 
Brasília - Apesar de ter praticamente garantido uma expansão na casa dos dois dígitos em 2010, o ritmo de crescimento da atividade industrial brasileira deve desacelerar este ano, na avaliação do gerente-executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco.
O arrefecimento, segundo ele, decorrerá das medidas de restrição ao crédito que vêm sendo tomadas pela equipe econômica do governo na tentativa de conter o aumento da inflação. ''O Banco Central sinalizou que é o início de um processo, ou seja, está sendo implementada uma política monetária mais restritiva em 2011'', disse Castelo Branco.
Além de medidas como a elevação dos compulsórios para operações de crédito de longo prazo, que afetam principalmente a indústria automobilística, o início de um novo ciclo de aumentos na taxa básica de juros Selic também deve reduzir a demanda este ano. ''Os canais se comunicam, quer dizer, as medidas reduzem o volume de recursos disponíveis para empréstimos e os tornam mais caros'', disse o economista.
O aumento dos juros, ressaltou, também incentiva a continuidade de entrada volumosa de recursos estrangeiros no País, pressionando ainda mais a apreciação do real frente ao dólar, que prejudica as exportações brasileiras e aumenta a concorrência no mercado doméstico com produtos importados.
''São necessários outros instrumentos de política econômica para adequar a inflação à meta, que impactem menos o setor produtivo'', afirmou Castelo Branco. ''Boa parcela das importações diz respeito a insumos que na verdade são partes, peças e componentes utilizados na indústria, o que afeta a cadeia produtiva doméstica, que vai ficando mais rarefeita'', completou.
O ritmo da atividade industrial aumentou em novembro, de acordo com os indicadores industriais divulgados ontem, pela CNI. A Utilização da Capacidade Instalada das fábricas (UCI) ficou em 82,6% no mês, ante 82,4% em outubro. Ainda assim, de acordo com a entidade, a UCI ainda está 0,7 ponto porcentual abaixo do registrado antes da crise, em setembro de 2008. O faturamento real das empresas cresceu 1,9% ante outubro, considerando dados dessazonalizados.


