SÃO PAULO - O desempenho da indústria paulista em 1996 surpreendeu as expectativas mais otimistas. O Indicador de Nível de Atividades (INA) apurado pelo Departamento de Economia (Decon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) cresceu 7,4%, em relação a 1995. Superou o Produto Interno Bruto (PIB) em cerca de três pontos percentuais, levando-se em conta as estimativas oficiais. Isso ocorreu sem qualquer comprometimento da capacidade de produção. O nível médio de ocupação da capacidade industrial instalada do Estado foi de 78,3%.
Os bons resultados da indústria foram fortemente influenciados pelo crescimento nas atividades de alguns setores específicos. As vendas de material elétrico e de comunicações cresceram 38% em 1996, em relação ao ano anterior. Os fabricantes de veículos faturaram 11,2% mais no período. Também foram expressivos os resultados alcançados com a comercialização de insumos para a construção civil (cimento e cal), com crescimento de 7,2% em relação a 1995.
Outros ramos de atividade faturaram menos do que no ano anterior, mas a produção foi maior. Isso ocorreu com o setor de alimentos, cujo valor real das vendas caiu 4,3%, e o de papel e papelão, com queda de 0,5%. Foi o reflexo da expressiva queda dos preços ao consumidor, proporcionada pela forte competição no mercado interno. Setores que vinham sofrendo a concorrência dos produtos importados conseguiram melhores resultados no ano passado, em relação a 1995. É o caso da indústria têxtil, cuja recuperação foi de 3,7% no período, e do setor metalúrgico, cujo faturamento cresceu 2,1%.
O desempenho da indústria paulista em dezembro também esteve acima das expectativas. O INA cresceu 13,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. As vendas aumentaram 14,9%, o que, para os empresários, não têm significado expressivo, uma vez que o setor enfrentou no final de 1995 os efeitos da política de contenção ao consumo.
O diretor do Decon, Boris Tabacof, disse ontem que o cenário no final do ano passado era de absoluta estabilidade. Esse foi o quadro observado nos últimos meses de 1996. Em relação a novembro, o INA de dezembro cresceu 0,1% e o valor real das vendas caiu 4,1%, se retirados os efeitos sazonais próprios dessa época do ano.
Para Tabacof, o crescimento dos indicadores de conjuntura refletem a expressiva recuperação das atividades no primeiro semestre do ano. A partir de agosto, segundo informou, a produção e o faturamento das indústrias se estabilizaram num nível mais elevado. Isso demonstra, segundo informa, que os fatores que estimularam esse crescimento já estão esgotados. Não se justificaria, assim, qualquer medida para conter o consumo.
Uma nova onda de expansão das atividades depende de medidas de estímulo às exportações. Isso é desejável, segundo declarou, já que o País deve manter esses índices de crescimento industrial para ampliar a oferta de emprego.

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