A produção industrial brasileira subiu em maio frente a abril, registrando 48,4 pontos contra 47,3 no mês anterior, segundo a Sondagem Industrial divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). No entanto, pelo sétimo mês consecutivo o índice permanece abaixo dos 50 pontos, o que revela queda na atividade. Segundo a CNI, a despeito da melhora em maio, o quadro se agravou em função do aumento dos estoques e da queda no número de empregos.
"A indústria permanece registrando um cenário de grande dificuldade", observa a confederação. O indicador de evolução de estoques ficou em 51,5 pontos em abril e o nível de estoques efetivo em relação ao planejado para a indústria subiu para 51 pontos. O cenário é pior entre as grandes indústrias, que registraram 53,1 pontos, mostrando que há excesso de estoques nesse grupo. O indicador acima dos 50 pontos mostra que os estoques ficaram acima do planejado pelos empresários.
Quanto à utilização da capacidade instalada, a média foi de 71% em maio, mesmo patamar de abril, e dois pontos abaixo do registrado no mesmo mês de 2013. Segundo a CNI, a utilização da capacidade instalada em relação ao usual caiu para 41,9 pontos em maio. Em abril havia sido de 42 pontos.
O cenário desanimador atinge igualmente indústrias de todo o País, com o setor perdendo competitividade e fechando postos de trabalho, na opinião de Valter Orsi, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Londrina (Sindimetal).
"Quando você fala em Brasil, não temos uma ilha diferenciada, como acontece com comércio e serviços, que podem ter uma demanda localizada. Uma dificuldade no campo industrial em São Paulo se equaliza para todo o País", afirma.
Na opinião do empresário, falta foco do governo na indústria. "A presidente vem querendo se reunir com os empresários agora para anunciar medidas que não sabemos quais serão, mas quaisquer que sejam, o processo de retomada no setor é lento", explica.

Competitividade
Orsi reitera os alertas e pedidos feitos pelo empresariado aos governos, sem retorno. Para ele, o Brasil é campeão "no ponto negativo da competitividade" e precisa desburocratizar seus processos, melhorar a infraestrutura, desonerar atividades como a importação, entre outros. "Estamos caminhando para um País sem indústria, exportador de divisas, de talentos. Os empresários estão desmotivados, inclusive se transferindo para outros países, num processo que é praticamente irreversível", alerta.
Osmar Alves, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil Norte do Paraná (Sinduscon-Norte/PR), observa que o índice de queda na atividade industrial pode acabar por gerar uma retração no setor, mas que atualmente o quadro é de estabilidade. "A construção depende de investimentos públicos e juros baixos, até agora o governo não está mudando essa situação", finaliza.
A Sondagem Industrial da CNI foi feita entre 2 e 11 de junho com 2.077 empresas, das quais 813 são pequenas, 758 são médias e 506 são grandes.

Imagem ilustrativa da imagem Atividade industrial completa sete meses em baixa



Continue lendo:

- Reflexos no mercado de trabalho

- Mantega confirma anúncio de medidas para a indústria