O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou alta de 0,40% em setembro ante o mês anterior, na série dessazonalizada, o que representa o terceiro mês de aumento consecutivo após um movimento de desaceleração. No acumulado do terceiro trimestre, o resultado ficou positivo em 0,59%, desempenho considerado baixo para significar recuperação, ainda que tenha afastado o fantasma da recessão técnica, segundo analistas.
O crescimento ajustado havia sido de 1,50% em julho e de 0,27% em agosto. No acumulado do ano, entretanto, a variação está positiva em 0,01% e, quando considerados os últimos 12 meses, em 0,60%. Isso porque o primeiro trimestre teve alta de 0,09% ante o último de 2013 e o segundo, queda de 0,79% sobre os três primeiros meses de 2014.
O índice de setembro ficou em 147,25, ante 146,66 em agosto. O desempenho é o melhor desde os 147,55 de novembro de 2013. Apesar do BC rechaçar a ideia de que o indicador funcione como prévia do Produto Interno Bruto (PIB), que é divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e é mais abrangente, o IBC-Br serve para avaliar o ritmo da economia por meio de informações sobre a produção industrial, comercial e agropecuária do País.
Professor de finanças do Ibmec no Rio, Gilberto Braga diz que todos os investimentos foram paralisados no meio do ano pela Copa do Mundo e pelas eleições presidenciais. Se no terceiro trimestre se espantou o risco de crescimento negativo, no entanto, ele considera que não há nada para ser comemorado. "Houve uma reversão da recessão no sentido técnico, mas quando se pensa no crescimento que estava sendo previsto no início do ano, ainda é muito pouco."
O coordenador da graduação em Economia da Universidade Positivo em Curitiba, Lucas Dezordi, afirma que o resultado do terceiro trimestre costuma ser mais forte. "Setembro, outubro e novembro são meses de maior atividade porque o setor produtivo se prepara para o Natal e, provavelmente, isso indique que este ano teremos um fim de ano mais fraco."
Para o delegado da regional de Londrina do Conselho Regional de Economia (Corecon) do Paraná, Laércio Rodrigues de Oliveira, o País vive um momento de baixa entrada de capital. "A expectativa do empresariado é saber quais serão os rumos da economia no próximo mandato, qual será a equipe econômica. Não há investimento dos empresários e menos ainda do governo, que precisa fechar as contas."
Assim, os economistas consideram que a tendência é de baixo crescimento ao menos até meados de 2015, porque o reflexo de medidas econômicas tomadas, mesmo que ainda em 2014, devem demorar a dar resultado. "Algumas atividades voltaram a subir, como a venda de automóveis e alguns setores industriais, mas nada que represente forte recuperação", conta Dezordi. "O primeiro semestre será de ajustes, com cortes de gastos em determinados segmentos, mesmo que o governo não diga em quais e que isso contrarie tudo o que ela (presidente Dilma Rousseff) disse durante a campanha", completa Braga. (Com agências)

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