O crescimento econômico brasileiro ficou quase estável em novembro, com leve expansão de 0,04% em relação a outubro, segundo o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) divulgado ontem pelo Banco Central (BC). O indicador, que tenta antecipar a variação do Produto Interno Bruto (PIB) apesar de apresentar metodologia diferente, aponta ainda para uma redução de 0,49% na comparação com novembro de 2013.
Em 12 meses, o IBC-Br está negativo em 0,01%, o que mostra que o PIB nacional dificilmente será positivo neste ano, conforme analistas ouvidos pela FOLHA. A percepção é de que dezembro não foi tão bom quanto novembro para o comércio de bens mais baratos, além da retração pesada na comercialização de produtos mais caros ou duráveis, como móveis e veículos. Porém, o BC ainda mantém a percepção de que o mercado financeiro espera alta de 0,18% no ano.
O consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcos Rambalducci, afirma que não dava para esperar variação positiva se as taxas de investimento no País estão estancadas nos últimos meses. "Se não fizemos investimentos também no segundo semestre de 2014, também não teremos o que colher no primeiro semestre de 2015", diz, ao completar que os próximos meses também serão de queda ou estabilidade da atividade econômica.
Rambalducci lembra que parte da movimentação no comércio em novembro se deu pela antecipação de compras para o fim do ano, o que pode indicar um resultado pior para dezembro. "O consumidor também apresentou um comportamento diferente, deixando de comprar móveis e carros para consumir roupas e artigos de menor valor", diz o consultor.
Para o delegado em Londrina do Conselho Regional de Economia (Corecon) do Paraná, Laercio Rodrigues de Oliveira, líderes de entidades empresariais e industriais têm deixado claro que precisam produzir mais com menos pessoas, o que interferiu na atividade econômica e gerará um efeito cascata, com aumento do número de desempregados, redução da renda familiar e consumo menor. "No segundo semestre de 2015, pode ser que o governo consiga reconquistar a credibilidade junto aos empresários e então consigamos algum crescimento, mas não deve ser significativo", diz, ao prever também para este ano uma variação para o PIB próxima a zero.
Oliveira acredita que empresários aguardem apenas o sinais do governo de que fará políticas que atraiam novos investimentos para voltar a produzir. Ele cita medidas de austeridade, que elevem o superavit primário, que é a poupança para o pagamento de dívidas. "O setor empresarial é dinâmico e, quando acredita que vai melhorar, busca fazer parte do sistema", afirma o delegado do Corecon.

Movimento

O IBC-Br teve alta de 0,81% no acumulado entre setembro e novembro na comparação com os três meses anteriores, pela série ajustada do BC. No período de agosto a outubro sobre o trimestre diretamente anterior, a alta havia sido de 0,62%, o que indica uma recuperação nos últimos meses do ano diante do primeiro semestre. (Com Agência Estado)

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