Atividade econômica do PR cai 1,5% no trimestre terminado em agosto
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de novembro de 2015
Nelson Bortolin<br> Reportagem Local 
A atividade econômica do Paraná apresentou uma retração de 1,5% no trimestre encerrado em agosto, na comparação com o trimestre encerrado em maio, quando já havia retraído 0,7%. O Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR) foi divulgado ontem pelo Banco Central. O boletim ressalva que o dinamismo da agricultura e da balança comercial paranaenses evitou queda maior.
As vendas do comércio ampliado (que inclui automóveis e materiais de construção) recuaram 1,8% no trimestre finalizado em agosto na comparação com o encerrado em maio, quando já tinha caído 5,3%. Houve reduções nos dez segmentos pesquisados, senda a maior, de 14,3%, no de materiais para escritório, informática e comunicação. A atividade varejista de material de construção encolheu 2,6% no trimestre. Já o volume do setor de serviços do Paraná, de acordo com o BC, reduziu 4,1% no trimestre finalizado em agosto em relação a igual período de 2014. A retração maior foi nos transportes (-11,7%).
O boletim destaca a importância do agronegócio para o enfrentamento da crise, registrando que a safra de grãos do Estado deverá totalizar 38 milhões de toneladas em 2015 (18,1% da produção do País). "O aumento anual de 6,7% reflete elevações nas produções de soja (15,8%) e de milho (1,6%)", afirma.
Segundo o BC, a produção da indústria paranaense recuou 3,2% no trimestre encerrado em agosto, em relação ao terminado em maio, quando diminuiu 2,1%. Houve redução em 10 das 13 atividades pesquisadas, sendo que a queda maior foi na indústria moveleira (-15,6%). A de máquinas e equipamentos também encolheu bastante: -10,6%. Celulose, papel e produtos de papel e bebidas foram segmentos industriais que cresceram. O primeiro teve expansão de 5,5% e o segundo, de 0,5%.
O economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, ressalta que a indústria moveleira paranaense caiu mais que a média nacional (-10,9%). "Isso quer dizer que nossa indústria de móveis perdeu competitividade na relação com a de outros estados", declara. Ele diz tratar-se de um segmento industrial muito competitivo, em que os grandes distribuidores "impõem os preços". Zurcher ressalta também que o único segmento industrial no Estado que ainda resiste à crise é o alimentício. "Não sabemos até quando porque as vendas nos supermercados começaram a cair. Os alimentos são os últimos produtos que as pessoas deixam de comprar", declara.
A balança comercial do Paraná registrou superavit de US$ 1,734 milhão nos nove primeiros meses de 2015 contra deficit de US$ 380 milhões em 2014. O BC aponta a redução de 10% nas exportações e de 25,7% nas importações como razão para esse resultado. "As exportações para China, Argentina e EUA representaram, em conjunto, 36,5% dos embarques do estado em 2015, destacando-se a redução de 8,8% nas vendas de soja para a China e a elevação de 7,6% nas de automóveis para a Argentina", diz o boletim.
Já as importações provenientes da China, Argentina e EUA representaram, em conjunto, 37,2% das compras externas do Paraná no período, destacando-se as reduções nas aquisições de adubos ou fertilizantes da China (-39,8%), de veículos de carga da Argentina (-36,8%) e de automóveis de passageiros da Alemanha (-88,7%).
Na conclusão do documento, o BC afirma que as perspectivas para a atividade econômica paranaense nos próximos trimestres seguem "dependentes do desempenho da agricultura e de seus desdobramentos sobre segmentos importantes da cadeia produtiva e sobre as exportações, essas influenciadas, adicionalmente, pela trajetória da taxa de câmbio". Mas, de acordo com o boletim, as "restrições ao maior dinamismo da demanda interna em especial condições mais restritivas no mercado de crédito, decréscimo na renda real das famílias, e reduzido patamar das expectativas dos agentes econômicos tendem a prevalecer nos próximos trimestres".
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, a cada trimestre, os números revelam que a situação econômica do País está piorando. "Não temos sinais de mudanças no horizonte. Nenhum sinal de incentivo ao comércio e a indústria. Só notícia negativa", declara. Ele chama atenção para o componente político da crise. "A tendência é de a atividade produtiva continuar caindo até que se encontre uma saída política. Estamos aguardando um fato político que ainda não chegou", afirma.


