Atividade econômica cai 0,52% em fevereiro
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sexta-feira, 12 de abril de 2013
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Os mercados ficaram agitados ontem com a divulgação do Índice de Atividade Econômica (IB-Br) de fevereiro e devido a declarações do presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, e do ministro da Fazenda, Guido Mantega. O IB-Br apontou uma retração de 0,52% na comparação com janeiro, quando o índice havia apresentado crescimento de 1,43% perante dezembro. Medida em pontos, a queda foi de 144,71 para 143,96. Os dados são dessazonalizados.
Na comparação com fevereiro de 2012, segundo o BC, a economia cresceu 0,44%, sem ajustes sazonais, forma mais adequada para comparar o mesmo mês de anos diferentes. Nos últimos 12 meses, conforme o Banco Central, a economia cresceu 0,87%.
Declarações de Tombini e Mantega foram interpretadas como sinais de que a taxa básica de juros da economia (Selic) vai subir na reunião do Conselho de Política Monetária (Copom), marcada para terça-feira e quarta-feira da próxima semana. "O Banco Central não fala sobre reuniões futuras, o que temos dito é que não há e não haverá tolerância com a inflação, estamos monitorando atentamente todos os indicadores", disse Tombini.
A declaração do ministro foi parecida: "Não titubeamos em tomar medidas. Inclusive, posso dizer que mesmo as medidas que são consideradas menos populares são tomadas, por exemplo, em relação às taxas juros, quando isso é necessário", afirmou Mantega. Nesta semana, foi divulgado o IPCA - indicador oficial da inflação - que rompeu o teto da meta, ao acumular em março alta de 6,59% em 12 meses. O teto é de 6,5%.
"A gente vem de um período de PIB decrescente no final do ano passado. Para retomar o crescimento demora um pouco", afirma o economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher. Cauteloso, ele disse que é cedo para avaliar como a economia vai se comportar durante o ano. "Em abril, com a divulgação dos dados fechados do primeiro trimestre, é que iremos saber", afirmou.
Zurcher ressalta que o governo está se equilibrando entre a necessidade de incentivar a indústria e segurar a inflação. "Todo mundo está preocupado com os preços. A inflação corrói o poder aquisitivo dos consumidores", declara. Segundo o economista, caso os juros sejam elevados na próxima semana, os efeitos da medida para segurar os preços só serão sentidos em seis meses. "Mas o impacto (negativo) no humor do empresário e do consumidor é imediato", salienta.
Consultor de finanças pessoais e empresariais e diretor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Londrina, Charles Vezozzo também é cauteloso ao comentar o índice do Banco Central de fevereiro. "Mesmo que se expurgue a sazonalidade, fevereiro não é um bom mês para avaliarmos a economia", declara. A maior preocupação dele é com a inflação. "O índice que subiu (IPCA) é o que mede o impacto dos preços na população assalariada. Baseada na política ortodoxa do governo, a tendência é que os juros subam um pouquinho na semana que vem", acredita.
Para ele, "ainda que cíclica", os indicadores mostram uma inflação ascendente e os juros devem subir agora como medida preventiva. (Com agências)

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