Atividade econômica acumula retração de 0,12% no ano
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terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Cecília França<br> Reportagem Local 
A atividade econômica brasileira recuou 0,26% em outubro, segundo o IBC-Br, índice divulgado mensalmente pelo Banco Central. Considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), o índice serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia e acumula retração de 0,12% nos dez primeiros meses do ano. Nos 12 meses encerrados em outubro é possível observar crescimento de 0,22%.
Para economistas ouvidos pela FOLHA, o resultado reafirma o mau momento da economia e reforça a previsão de que o PIB feche o ano próximo de zero. Na comparação entre os meses de outubro de 2014 e 2013 a retração mostra-se ainda maior, de 1,18%. Entre os componentes do IBC-Br estão a Pesquisa Industrial Mensal e a Pesquisa Mensal do Comércio, ambas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social do Paraná (Ipardes), Francisco Castro, ressalta que todos os indicadores apontam para queda nas atividades industriais, do comércio e serviços e da agricultura. Ele ressalta que a indústria vem sofrendo com um cenário bastante negativo, ocasionando queda na produção e fechamento de postos de trabalho.
"Isso começa a afetar a renda e os dados macroeconômicos, principalmente inflação, que vem tirando poder de compra da população; a taxa de juros é um desincentivo a mais", ressalta. Em relação ao Paraná, Castro vê reflexos da conjuntura macroeconômica em setores importantes para a economia, como a indústria automotiva, além de problemas pontuais como a quebra da safra de soja no início do ano.
"A quebra da safra da soja foi por conta da seca. O setor agropecuário ocupa 9% do PIB do Estado, mas reflete fortemente nos serviços", explica.
Para o economista José Moraes Neto, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o IBC-Br confirma a expectativa de um PIB anual próximo de zero. Para ele, o cenário atual emite sinais contraditórios quanto às expectativas. Ele destaca a valorização recente do dólar como um estímulo para o aumento da produção nacional e classifica a queda no valor do barril de petróleo como um fator de alívio para a pressão inflacionária.
Por outro lado, o economista classifica como "extremamente preocupante" os aumentos de impostos nas esferas federal, estadual e municipais, que corroem a capacidade de consumo e resultam em perdas para o próprio governo. "Qual empresário vai investir sabendo que não vai ter mercado para seu produto? Vai cair a arrecadação do governo, porque vai cair o consumo", acredita.
Para Moraes Neto, há preocupação do mercado quanto ao impacto da política econômica que será adotada a partir de 2015. "Temos alguns sinais de que vai prolongar essa recessão", pondera. Na opinião dele, não se pode falar em crescimento no próximo ano e há uma expectativa muito forte sobre a política de juros do BC.
"Juros para cima é altamente recessivo, afeta o consumidor e o setor produtivo", diz. Para Castro, o ano de 2015 vai ser de ajustes, principalmente nas contas públicas. No Paraná, pode-se esperar melhora, desde que vinculada ao setor agropecuário.


