Curitiba - O governo do Estado começou, a partir de ontem, a ajudar os pequenos agricultores que estão sofrendo com a seca em 27 municípios da região sudoeste do Estado a aprofundar e construir poços artesianos, na construção de açudes e na limpeza e alargamento de córregos. Além disso, a secretaria de Estado de Agricultura alertou que os pequenos produtores que obtiveram financiamento junto ao Programa Nacional de Fornalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) podem usar o Proagro Mais para obter o seguro caso a perda seja de pelo menos 30% da produção. Para isso os agricultores devem comunicar ao banco as perdas antes de colher. Anteontem o governador Roberto Requião (PMDB) decretou estado de emergência na região, que não vê chuva há quase 40 dias.
Os agricultores beneficiados com a ajuda do governo são aqueles que têm propriedades de até 50 hectares. Em todo o Estado, 86% das 350 mil propriedades rurais têm até este tamanho. Maquinários e trabalhadores já foram enviados ontem para a região para começar as obras. Segundo o secretário de Estado da Agricultura em exercício, Newton Pohl Ribas, ainda não se tem uma previsão de quanto tempo vão durar as obras porque depende da necessidade de cada caso. O secretário em exercício afirmou que ainda não foi contabilizado quanto será investido para ajudar os agricultores. Já como ajuda financeira, Ribas fez questão de ressaltar que quem pediu financiamento ao Pronaf a partir de setembro tem direito ao seguro do Proagro Mais e já deve procurar pelo benefício.
''Os agricultores que pediram o financiamento do Pronaf depois de 2 de setembro e respeitaram o zoneamento rural para plantar têm direito a um seguro de até R$ 1,8 mil. Isso é para quem perdeu pelo menos 30% da produção. Mas é preciso avisar o banco antes de colher, para que um perito seja manadado ao local'', explicou Ribas. O Proagro Mais é um programa do governo federal e além do seguro de até R$ 1,8 mil ele cobre até 65% da renda líquida esperada quando foi feito o financiamento. A média dos financiamentos dos pequenos agricultores do Paraná é de R$ 2,5 mil. Quem fez o empréstimo antes de setembro pode optar, ou não, pelo seguro.
Agricultores e membros da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf) estão acampados nas cidades de Realeza (75 quilômetros a oeste de Francisco Beltrão) e Marmeleiro (7 quilômetros a leste de Francisco Beltrão) para pressionar o governo federal a ajudar os pequenos agricultores. ''Queremos anistia das dívidas porque nossas perdas foram muito grandes. Isso porque muitos agricultores não estavam dentro do zoneamento rural já que plantaram depois do dia 10 de novembro. Queremos que abra o benefício para todo mundo'', afirmou o coordenador da Fetraf no Paraná, Luiz Perin. A Federação reclama do zoneamento rural e pede que ele seja revisto para a próxima safra.
Segundo a secretaria de agricultura as perdas na região sudoeste chegam a 45% da produção de soja, 48% da produção de soja safrinha, 20% da produção de milho normal, 65% da produção de milho safrinha, 13% da produção de batata e 10% da produção de feijão. A secretaria informou que a região oeste do Estado também já está sofrendo com a estiagem. Lá não chove há 38 dias e já houve uma queda de 17% na produção de algodão e 16% na produção de soja. ''Não descartamos a possibilidade de decretar estado de emergência lá, se for o caso'', afirmou Ribas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem uma visita programada ao Rio Grande do Sul no próximo dia 16 para avaliar a questão da seca. Apesar de não haver confirmação, há a possibilidade que o presidente também passe pelo Paraná.

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