Brasília - As lideranças das regiões atingidas pela estiagem no sul do País iniciam, hoje uma marcha em direção a três pontes entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O ato público é em defesa da liberação de mais recursos emergenciais pelo governo federal.
Segundo o coordenador da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar na Região Sul, Dirceu Dresch, os produtores ficaram insatisfeitos com o anúncio de R$ 187 milhões do governo federal para cerca de 180 mil famílias dos três estados do Sul e Mato Grosso do Sul. Ele lembrou que os agricultores queriam um desconto de R$ 1 mil no Pronaf-custeio e o governo ofereceu R$ 500. Outra reivindicação era de crédito de emergência de um salário mínimo (R$ 240) durante seis meses e o governo ofereceu um total de R$ 300.
Os manifestantes vão sair de três cidades gaúchas (Erechim, Nonoai e Frederico Westphalen) e três catarinenses (Concórdia, Chapecó e Palmitos) em direção às pontes das BRs 153 e 386 e da rodovia estadual SC-480. Em Chapecó, a concentração será às 10h, na Praça Coronel Bertaso. O percurso é de 22 quilômetros. Os agricultores gaúchos e catarinenses pretendem acampar próximo às pontes na sexta-feira (23). Para Dresch o bloqueio do local não está descartado. Segundo ele, tudo vai depender das negociações com o governo federal.
A estiagem do início deste ano causou prejuízos para toda a atividade agropecuária da região Sul. As perdas das pequenas propriedades, em decorrência da seca, devem ultrapassar a marca de R$ 750 milhões nos três Estados da região. No Rio Grande do Sul, a colheita de soja deverá atingir 6,5 milhões de toneladas, queda de 33% na comparação com a safra inicialmente prevista de 9,7 milhões de toneladas. Em Santa Catarina, há estimativa de perda de 667 mil toneladas nas colheitas de arroz, feijão, milho, soja e trigo. E no Paraná, a estimativa de quebra de safra varia de 10% a 30% em todas as culturas.

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