Em um mundo cada vez mais globalizado, ainda há espaço para as lojas tradicionais. O segredo é simples: produtos de qualidade e atendimento personalizado, como antigamente. ‘‘Os nossos clientes são cativos, passam de geração em geração, e todos são chamados pelo nome’’, comenta um dos proprietários da loja Casa Brasil, em Cambé, Romildo Celso Debértolis.
Com 60 anos de tradição, a loja é do tempo em que a ‘‘palavra’’ era o maior termo de compromisso. Administrada com participação já da quarta geração da família, vem garantindo a boa clientela em todo esse tempo. ‘‘Antigamente, vendíamos muito tecido para trabalhadores rurais, que só pagavam seis meses depois, na época da colheita; e, quando voltavam, todos estavam com as roupas feitas do mesmo tecido, era engraçado...’’, lembra Claudete Debértolis, uma das cinco filhas de Ricardo Debértolis, que em 1942 começou a trabalhar como funcionário na loja, que pertencia ao seu cunhado, Luiz Doré. Depois,
Debértolis comprou o estabelecimento.
Localizada no mesmo prédio de 60 anos atrás, a loja vende tecidos, roupas, aviamentos e alguns produtos ‘‘mais raros’’, hoje em dia, como anáguas, ceroulas e elegantes chapéus de feltro. O apreço pela tradição não impede que a família invista em tecnologia. Todo o estoque e o cadastro de fornecedores estão informatizados, e recentemente foi feita uma reforma no prédio, que garantiu um visual mais arejado para a loja. O faturamento mensal é de aproximadamente de R$ 40 mil, e há nove funcionários. A parte administrativa fica a cargo da família Debértolis. Além de Romildo e Claudete, que são casados, também trabalham os seus dois filhos, Damaris e Danilo, e, Madalena, irmã de Claudete, que em 1989 assumiu a loja após o afastamento do pai,
devido a um problema de sa© úde. ‘‘O ambiente de trabalho é muito bom, não deixamos acumular os problemas e seguimos em frente, porque sabemos que essa loja faz parte da nossa vida’’, afirma Madalena.

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