Atender as demandas mundiais é desafio para agricultura
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segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Mariana Fabre <br> Reportagem Local 
Crescimento, envelhecimento e urbanização da população, fatores acompanhados pelo aumento da demanda energética e de proteção climática, pela globalização e ascensão dos mercados emergentes. É nesse cenário que a produção agrícola precisa se adaptar. O impacto dessas tendências no agronegócio brasileiro foi debatido na sexta edição do Top Ciência, realizado na semana passada pela Basf, em Mogi das Cruzes (SP), cuja temática girou em torno do conceito ''Um Planeta Faminto e a Agricultura Brasileira''.
''A sustentabilidade precisa ser analisada de forma racional, envolvendo os pilares ambiental, social e econômico'', avalia o vice-presidente sênior da Unidade de Proteção de Cultivos da Basf e de Sustentabilidade para a América Latina, Eduardo Leduc. De acordo com Lars Edwin Schobinger, CEO da Kleffmann Group, nos últimos cinco anos a produção brasileira cresceu 44%. ''Pesquisa, tecnologia e empreendedorismo contribuíram para esse resultado'', afirma.
O professor da Universidade de São Paulo (USP), Marcos Fava Neves, lembra que a economia chinesa deve ultrapassar a americana em 2016 e, com isso, passará a ser a maior do mundo. ''A economia chinesa tem um casamento muito forte com a agricultura brasileira. Os países emergentes estão assumindo a ponta do consumo mundial e eles são os principais destinos dos nossos produtos'', salienta.
Para Neves, a urbanização da população mundial é um fenômeno preocupante, pois muda fortemente os hábitos de consumo. Ele revela que, anualmente, 70 a 90 milhões de pessoas saem do campo e seguem para cidade, fenômeno que apresenta maior tendência na Ásia. ''Os recursos são escassos, os consumidores são muitos. Portanto, precisamos fazer mais com menos, o que indica que o agronegócio precisa ser dirigido pela eficiência'', observa.
Em relação à interferência no mercado brasileiro da atual crise que afeta importantes economias mundiais, Neves acredita que ela não deve se expandir muito e modificar a taxa de câmbio brasileira ou reduzir o consumo. ''Em momentos de crise e diminuição de renda, alimento é a ultima coisa que a pessoa corta, então é o setor que sofre menos'', analisa. Além disso, ele argumenta que a crise não afeta os principais países consumidores do Brasil. ''Temos que esperar para ver se a crise atual vai impactar nossos mercados consumidores, e, se impactar, quanto eles vão reduzir das importações do Brasil'', afirma.
Desafios
Neves destaca como tema futuro para a agricultura a questão de como gerar alimento, eletricidade e combustível a partir da terra. Outro destaque são as cadeias produtivas de alimentos seguros. ''O terceiro ponto se refere a como expandir em consonância com as necessidades ambientais. Essa expansão sustentável é algo que temos que fortalecer'', afirma. Segundo ele, o Brasil é um dos principais candidatos a ampliar 100 milhões de hectares de produção sem prejudicar o meio ambiente.
O professor da USP critica os empecilhos impostos pelo governo para o desenvolvimento da agricultura nacional. O Código Florestal discutido de forma não racional, a legislação trabalhista anacrônica e a questão logística são apontadas por Neves como principais ameaças ao crescimento do setor. ''Os preços estão bons e a agricultura brasileira está indo muito bem, mas nós estamos descuidando e o Brasil está ficando um País caro para se produzir'', alerta.


