Imagem ilustrativa da imagem Atenção às taxas
| Foto: Ricardo Chicarelli/25-02-2016
Maicon Putti: "As melhores taxas estão nos bancos médios"
Imagem ilustrativa da imagem Atenção às taxas
| Foto: Ricardo Chicarelli
Jair e Bruno Ancioto: legislação complexa faz empresa pagar mais imposto que o devido
Imagem ilustrativa da imagem Atenção às taxas


Bom mesmo é não pagar juros. Mas, como isso nem sempre é possível, principalmente numa situação de vendas e receitas retraídas, todo cuidado é pouco para as empresas na hora de acessarem o mercado de crédito. Há várias opções no mercado e as taxas variam muito entre os bancos.
Uma boa dica, conforme orienta o consultor de finanças Maicon Putti, é pesquisar o site do Banco Central (www.bcb.gov.br), que divulga as principais linhas e as médias dos juros de todas as instituições financeiras do País. Na seção de pessoa jurídica, é possível saber, por exemplo, que as taxas variam de 1,12% a 4,86% por mês, na linha de desconto de duplicatas. A mais baixa é a do J.P. Morgan, e a mais alta, da Finamax. No Banco do Brasil, a média é de 3,97%.
A linha convencional de capital de giro pós-fixada tem média mínima de 1,23% ao mês no Deustsche Bank, e máxima de 2,93% no Banco Paulista. O Banco do Brasil oferece esse crédito a 2,93%. Já na pré-fixada, a mais baixa está no Agoracred (1,37%) e a mais alta no Direção S.A. (5,35%). Na Caixa, o juro é de 3,11%.
"As melhores taxas estão nos bancos médios", conta Maicon Putti. Segundo ele, o razoável é pagar, no máximo, 2% ao mês. As linhas de antecipação de recebíveis, como a de desconto de duplicata, são uma boa opção, na opinião do consultor, porque oferecem as menores taxas. "Mas é preciso ter cuidado. Você deixa no banco uma duplicata de R$ 50 mil que vai vencer daqui um mês, pega a antecipação, mas não pode esquecer que, no mês que vem, esse dinheiro não vai entrar mais no seu caixa."

FLUXO DE CAIXA
A observação de Putti pode parecer óbvia. Mas ele sustenta que é comum empresas não terem controle eficiente do dinheiro que entra e sai. "Ter um bom fluxo de caixa desenhado é fundamental. Mas há muitas empresas que não têm." De olho no fluxo de caixa, é possível antecipar decisões. "Dá para saber em qual período do ano haverá mais dificuldade financeira e tomar medidas preventivas."
O consultor diz que, antes de irem ao mercado de crédito, as empresas precisam se planejar. Além de olharem atentamente seus fluxos de caixas, devem observar o ciclo financeiro. "Em momentos de crise, é comum os clientes pedirem mais prazo para pagamento. A empresa concede, mas não obtém mais prazo para pagar seus fornecedores. Isso gera um custo financeiro muito grande. Não dá para você pagar o fornecedor em 28 dias e receber do cliente em 56 dias", afirma.
De acordo com ele, um olhar mais atento à planilha de custo, muitas vezes, evita que a empresa necessite buscar recursos nos bancos. "Todo custo que representar mais que 1% requer um plano de ação visando sua redução", orienta. Um bom planejamento tributário também pode ser muito útil nesta hora. "Existe uma parafernália na legislação no Brasil. Por causa disso, muitas vezes as empresas pagam mais imposto do que necessitam", afirma o contador e advogado tributarista Jair Ancioto.
Não estar enquadrada no regime mais adequado é uma das principais razões de as empresas pagarem mais do que precisam ao Fisco. "Nem sempre o Simples, por exemplo, é o mais vantajoso para determinado empreendimento", alega o também contador Bruno Ancioto. Empresas com despesas altas e lucros baixos, diz ele, tendem a pagar menos impostos quando enquadradas no regime normal, mesmo que elas apresentem todas as condições exigidas pelo Simples.
Jair Ancioto conta que, com a crise, a procura por consultoria em seu escritório aumentou bastante. Ele lamenta, no entanto, que buscar ajuda de consultores seja um dos últimos recursos utilizados pelos empresários. "Normalmente, nos procuram quando já estão no fundo do poço. Às vezes, nem dá para recuperar. O planejamento tributário deve ser preventivo", declara.
O contador concorda com Maicon Putti quanto à falta de controles por parte de muitas organizações. "Tem muitas que sequer sabem se estão tendo lucro ou não. Não estou falando de empresa pequena, mas empresa que tem 400 funcionários", alega.

mockup