Dois dias mais cedo que no ano passado, os tributos federais, estaduais e municipais pagos pelos brasileiros no ano, desde primeiro de janeiro, atingirá a marca de R$ 500 bilhões. A cifra será verificada na quarta-feira, após o feriado prolongado. No ano passado, a mesma quantia foi arrecada até o dia 4 de maio. Do valor total, no início da noite de ontem, R$ 6,1 bilhões foram referentes a tributos do Paraná e R$ 325,8 milhões de Londrina. O cálculo do Impostômetro é feito pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
O levantamento, lançado em 20 de abril de 2005, considera os tributos arrecadados pelas três esferas de governo: impostos, taxas e contribuições, incluindo as multas, juros e correção monetária. No passado, registrou uma arrecadação recorde de R$ 1,5 trilhão.
O presidente do Instituto Brasileiro de Política Tributária (IBPT), João Eloi Olenike, observa que esta antecipação significa que a arrecadação de tributos está maior que a do ano passado, no entanto, ''não está no mesmo patamar''. ''É um viés de estabilidade da própria conjuntura econômica'', justificou. ''Atingimos os R$ 400 bilhões este ano, 15 dias antes do ano passado, o que indica que a economia continua crescendo, mas diminuiu no último mês'', comparou.
Segundo Olenike, se houver uma inversão e começarmos a alcançar os valores com atraso (em comparação ao período anterior), pode significar que a arrecadação de 2012 vai ser menor que a do ano passado. ''Tudo vai depender da macroeconomia'', ponderou. ''No segundo semestre vamos ver se as medidas governamentais de estímulo ao consumo, como desoneração tributária e diminuição do ICMS para exportação farão com que a economia melhore.''
Com relação à expectativa para a arrecadação deste ano, o presidente do IBPT comenta que ela nunca foi menor de um ano para o outro, mas ressalta que a base de 2011 é muito boa, por isso, a cifra deste ano deve crescer um pouco, mas em proporções diferentes. ''No ano passado tivemos crescimento nominal de 17% ante 2010, o que significa um percentual muito alto'', avaliou.
O presidente da ACSP, Rogério Amato, considera que o atual movimento de redução dos juros bancários, iniciado neste mês por instituições públicas e seguido por bancos privados, pode levar também a um processo de diminuição da arrecadação fiscal. ''Espero que, com a queda dos juros nos bancos privados e públicos, também os impostos sejam diminuídos para turbinar a economia e, assim, favorecer os consumidores'', afirmou, em nota. (Com Agência Estado)

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