Até outubro, Sercomtel estará vendendo celular via satélite
Cláudia Lopes
De Londrina
Em dois meses, os londrinenses poderão comprar nas lojas conveniadas da Sercomtel aparelhos celulares que funcionam via satélite. Com tecnologia Globalstar, os aparelhos custarão entre R$ 2,5 mil e R$ 3,5 mil, funcionando em sistema dual, ou seja, como um celular normal ou por satélite em áreas fora de cobertura.
A Sercomtel assinou ontem um acordo de cooperação comercial com a Globalstar para distribuição e venda dos serviços via satélite. Apesar de ter se instalado há dois anos no Brasil, a Globalstar oficializará sua operação no País somente em outubro, quando o projeto será lançado em cerca de 20 países.
A multinacional está investindo R$ 180 milhões no País, segundo o presidente da empresa, Pedro Maisonnave. Os testes na primeira estação terrestre (gateway) da Globalstar, sediada em Presidente Prudente (SP) começaram na semana passada. Foram investidos R$ 30 milhões no gateway. No mundo inteiro, a Globalstar deve investir R$ 3 bilhões no próximo ano.
A empresa está construindo outras duas bases em Petrolina (PE) e Manaus (AM). Na primeira fase, vamos começar a operar no Centro-Oeste e Sul do Brasil. Os serviços serão estendidos para o Norte e Nordeste no segundo semestre do próximo ano.
Até o final do ano 2000, a empresa terá 52 satélites em funcionamento. Hoje, são 36 satélites e 26 gateways em todo o mundo. O sistema cobrirá 98% da população mundial, disse Maisonnave. Nesta semana, o grupo também assinou acordo com a Ceterp Celular, de Ribeirão Preto (SP). Estamos negociando com várias operadoras brasileiras. Entre elas, a Globaltelecom e a Tim, disse o diretor da Globalstar, Fernando Ceylão.
Pesando 340 gramas, o aparelho de celular satelital da marca Qualcomm tem duas antenas. Uma delas é usada apenas quando o sistema via satélite é acionado. Quando o usuário estiver fora da área de cobertura do celular normal, o sinal é detectado pelo satélite e transmitido para o gateway mais próximo do local, explicou Pedro Maisonnave. Segundo ele, os dois grandes mercados brasileiros são agricultura e transportes.
A ligação é feita preferencialmente no sistema convencional, já que o custo é mais barato. Os preços do minuto local do celular normal variam de R$ 0,28 a R$ 0,34 e, os do satelital, devem variar de R$ 2,5 a R$ 3,5, segundo o presidente da Sercomtel, Rubens Pavan. O sistema não vai concorrer com o celular, mas complementar o serviço, disse. A Globalstar tem como parceiros a Loral Space & Communications, a Dasa, a Space Systems/Loral e a Qualcomm.





