Até gastos com cafezinho devem ser calculados
Segundo o consultor e terapeuta financeiro Reinaldo Domingos, a destinação que o consumidor dará ao benefício neste final de ano dependerá de sua situação financeira. Domingos costuma separar as pessoas em três grupos: endividado, sem dívida e investidor. Independente da condição financeira, o especialista assinala que com planejamento e estabelecimento de metas, o salário extra pode ser o pontapé para a independência financeira.
Caso a pessoa esteja endividada, o correto, de acordo com Domingos, é fazer primeiramente uma planilha por 90 dias, adequando, a partir dela, os gastos mensais à receita, ou seja, a pessoa deverá fazer uma redução de despesas para estabelecer o equilíbrio financeiro e criar uma sobra. Para isso é fundamental que estejam inclusos na planilha até mesmos gastos com cafezinho, lanches, gorjetas, salão de beleza e baladas. ''A maioria dos endividados - e isso chega a 60% dos brasileiros - não sabe onde gasta o dinheiro. E saber cortar estes gastos é atitude vital para sair da dívida'', ressalta.
Criada a sobra, a dica é procurar os credores para uma negociação com alongamento e de preferência com juros muito baixos, no máximo 2,5% ao mês. Porém, a negociação deverá ter parcelas que caibam no orçamento mensal. ''Nesta época do ano, os consultores orientam o endividado a usar todo o salário extra para quitar dívidas; contudo, esta ação combate o efeito e não a causa. Como a pessoa não sabe poupar, contrairá mais dívida para quitar aquela'', argumenta. Em relação ao dinheiro do 13º salário, parte deverá ser utilizada para as compras e gastos de fim e início de ano e uma porcentagem maior para a criação de uma reserva, evitando imprevistos. A recomendação do consultor é que se guarde pelo menos 50%. A idéia é se tornar um investidor iniciante.
O grupo dos sem-dívida, conforme Domingos, representa o consumidor equilibrado financeiramente, que não deve, mas que também não poupa. Mesmo estando numa situação mais tranquila, o indicado é elaborar uma planilha de gastos para descobrir porque despesas e receitas estão empatadas. O ideal é que a pessoa enxugue gastos para sobrar 20% da receita e iniciar um investimento, que pode ser poupança, previdência privada. ''Para quem se encaixa neste perfil, a orientação é reservar 25% do 13º para os presentes e outros 25% para as despesas de início de ano''.
Para quem tem o perfil de investidor, a orientação do especialista é reservar a maior parte do salário extra - 70% - para continuar investindo, e até planejando saltos mais altos, como fundos de investimento ou bolsa de valores.
Os outros 30% podem ser dividos entre os presentes, viagens, e os impostos de janeiro. Contudo, alerta o consultor, o bom gestor financeiro deve saber onde aplicar o seu investimento, ou seja, sonhar. ''Se o dinheiro não assumir uma forma concreta, ele gastará em algo desnecessário na primeira oportunidade que tiver'', finaliza. (C.V)





