Na próxima sexta-feira todos os olhares estarão voltados à Mendoza, na Argentina. É lá que acontecerá a próxima reunião de cúpula do Mercosul que pode definir algumas sanções ao Paraguai no que diz respeito às relações comerciais com os demais países do bloco. O Brasil - através da fronteira paranaense - recebe mais de US$ 5 bilhões por ano em produtos acabados do país vizinho, muitos deles oriundos da China e reenviados ao Brasil. Além disso, o Paraguai conta com milhares de produtores de soja, os chamados brasiguaios, que exportam boa parte de sua produção da oleaginosa pelo Porto do Paranaguá.
O clima de tensão fez com que a secretaria municipal de assuntos internacionais de Foz do Iguaçu recebesse por volta de 100 produtores de soja do Paraguai nesta semana para uma reunião sobre o assunto. Porém, a instabilidade política e a mudança na presidência acabaram sendo benéficos a estes agricultores. De acordo com o secretário Sérgio Lobato da Rocha Machado, a posição do novo governo, liderado pelo presidente Federico Franco, é de ''amistosidade com o brasileiros''. ''No governo anterior, os camponeses estavam invadindo as terras dos brasiguaios com muita força. Agora, a situação está mais controlada'', disse ele à reportagem da FOLHA.
Machado comentou ainda que chegou a receber prefeitos e vereadores paraguaios que vieram até Foz pedir apoio para o novo governo. Em relação aos empresários brasileiros que atuam no Paraguai, o secretário relatou que a grande maioria deles está tranquila e que depois que Franco assumiu o poder, a movimentação comercial está bem pacífica e voltando ao normal na tríplice fronteira. ''Na verdade, quase nada mudou neste período. Todos estão bastante tranquilos em relação as importações e exportações com o Paraguai'', salientou.
Questionado se existe algum tipo de tensão dos comerciantes da fronteira em relação a cúpula do Mercosul, o secretario de relações internacionais de Foz explicou que o Brasil não pode deixar de ter um bom relacionamento com o Paraguai. ''Temos que manter um relacionamento agradável, até devido a nosso acordo que envolve a Usina de Itaipu''.
Apesar do clima parecer de tranquilidade, o cúpula do Mercosul, que deve ocorrer juntamente com a reunião da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), pode trazer surpresas ao Paraguai. Isto porque o impeachment relâmpago do ex-presidente Fernando Lugo causou mal-estar com os outros países do bloco, levantando uma espécie de isolamento diplomático. O Brasil até agora não tomou nenhuma medida mais enérgica sobre o assunto, apenas convocou o embaixador do País no Paraguai ''para consultas''.
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) disse ontem à reportagem da FOLHA que não iria comentar o assunto. Já a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) não retornou as ligações até o fechamento desta edição.

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