Até 99, telefone será instalado em 7 dias
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sexta-feira, 17 de outubro de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
Otávio MagalhãesEstouroO ministro da Comunicações, Sérgio Motta, ontem, no Rio, com o governador Marcello Alencar: 40 milhões de linhas disponíveis em 99 O ministro das Comunicações, Sérgio Motta, previu ontem que até 1999 todos os brasileiros poderão comprar e ter instalados telefones em casa em apenas uma semana. Motta espera que, até lá, o preço de instalação do telefone fique abaixo dos R$ 80, que começa a vigorar em 1º de novembro, medida que considerou um duro golpe no comércio paralelo de telefones. O ministro atacou os especuladores, afirmando que eles deveriam ser apedrejados.
Os especuladores não terão comigo nenhuma chance e podem recorrer à Justiça, afirmou. O ministro disse achar que o negociador de telefone, comprador de ação da Telebrás em banquinha na feira, banco que faz operação de casa em casa, pagando 10% e roubando o povo são um bando de ladrões, que se enriquecem com a falência do País.
Ele espera que em 1999, estejam disponíveis 25 milhões de linhas convencionais e 15 milhões de celulares, contra os 7 milhões de hoje. Vai haver um estouro, garantiu. Motta explicou que, a partir de novembro, praticamente acaba o mercado paralelo de telefones convencionais porque, segundo ele, não haverá mais o que vender. O telefone não é mais bem patrimonial.
O ministro explicou ainda que telefone não será mais bem declarado em Imposto de Renda. Entendemos que quem tem direito é quem está com a posse do telefone, e esse pode negociar mais uma vez, afirmou. Ele garantiu que as mudanças não acarretarão o aumento de tarifa.
O ministro lembrou que o aumento de demanda será contrabalançado com o crescimento da oferta. De acordo com ele, a Telebrás, com recursos próprios, já investiu R$ 21 bilhões no sistema. Segundo ele, este valor chegará a R$ 27 bilhões em junho, quando as teles forem privatizadas.
Ele lembrou que a privatização da banda B da telefonia celular renderá R$ 7 bilhões. O governo anterior ia dar de graça isso, e nós estamos apostando no aporte de capital, fortemente regulamentado pelo Estado, o que é característica de uma administração social-democrática.
Motta lembrou que estão sendo preparadas 1.460 concessões de cabos e, de 30 de outubro a 10 de novembro, estará pronta a licitação para a avaliação do programa de privatização das teles. Ele disse que, quando assumiu o governo, apenas 32% das linhas eram digitalizadas e este percentual atualmente é de 77%.
Para Motta, a maldita herança social, responsabilidade de uma elite burra, só pode ser resgatada com serviços públicos decentes, saúde e educação. Mais uma vez, ele defendeu a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso e do governador Marcello Alencar (PSDB).
Na cerimônia do lançamento do Anel Óptico da Barra, com a aquisição de 49 mil novas linhas digitais que beneficará a Barra da Tijuca, o Recreio dos Bandeirantes e a Vargem Grande, na zona oeste do Rio, Motta conversou por telefone com o empresário Francisco Domingues do Amaral. Na conversa, o sistema, com 14 novas estações telefônica (oito delas digital), foi testado.
Motta disse que até junho, com a criação da Agência Nacional de Telecomunicações - que espera que seja aprovada na quinta-feira pelo Congresso - o Ministério das Comunicações praticamente deixará de existir, ficando com no máximo 40 pessoas em três secretarias: de administração, serviços postais e radiodifusão.


