Brasília - Quando o programa do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI) acabar, em dezembro, o País ainda terá pagamentos da ordem de US$ 14 bilhões a fazer àquela instituição multilateral de crédito. São pagamentos das parcelas dos mais recentes empréstimos tomados pelo Brasil, que vencerão entre 2004 e 2007. Essa pode ser uma boa razão para o FMI querer um novo programa com o País.''É muito dinheiro para eles simplesmente irem embora'', disse um técnico da área econômica do governo.
Os US$ 14 bilhões correspondem, à cotação de ontem, a 9,997 bilhões de Direitos Especiais de Saque (DES), a moeda do FMI. O Brasil tem à frente pesados pagamentos. Neste ano, serão 9,238 bilhões de DES, cerca de US$ 12,9 bilhões. Em 2004, serão mais 3,258 bilhões de DES, ou US$ 4,5 bilhões. Em 2005, os vencimentos são de 4,474 bilhões de DES ou US$ 6,3 bilhões e, em 2006, 2,068 de DES ou US$ 2,9 bilhões. Em 2007 vencem 195 milhões de DES, cerca de US$ 300 milhões.
O secretário do Tesouro, Joaquim Levy, disse ontem que o diretor-gerente do FMI, Horst Köhler, ofereceu a Palocci na semana passada em Washington a possibilidade de um novo programa com o Brasil. Ele disse que o FMI está aberto a qualquer coisa que tenhamos interesse, relatou o secretário. Levy lembrou que o FMI tem expressado ''entusiasmo'' em relação aos resultados da política econômica que vem sendo aplicada no País.
O governo ainda não decidiu se prorroga ou não o acordo. O ministro do Planejamento, Guido Mantega, disse que considera essa discussão ''prematura'', ao mesmo tempo em que considerou positiva a disposição do FMI em prorrogar o acordo. Mantega disse que uma decisão só será tomada em setembro. O secretário do Tesouro Nacional, que tem atuado como coordenador dos contatos do governo brasileiro com o FMI, disse que tomava emprestadas as palavras do ministro Mantega.
Em agosto chega ao Brasil uma nova missão técnica do Fundo. O governo planeja fazer, nessa ocasião, uma revisão mais detalhada de todos os seus dados. Até lá, haverá mais clareza sobre o quadro econômico para o futuro. O principal determinante de uma eventual prorrogação do acordo com o FMI será o ritmo do ingresso de recursos estrangeiros no País.

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