Ataque especulativo atinge Hong Kong
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sexta-feira, 07 de agosto de 1998
Agência Folha 
O dólar de Hong Kong sofreu ontem seu maior ataque especulativo desde outubro do ano passado, mês em que explodiu a crise asiática. Quatro grandes corretoras norte-americanas e pequenos fundos de investimento venderam um volume não divulgado da moeda local (segundo a administração da ilha, muitos bilhões de dólares foram vendidos), obrigando o governo a dobrar as taxas de juro de um dia. O dólar de Hong Kong é atrelado ao dólar norte-americano há 15 anos. Essa paridade fixa é um símbolo tradicional da economia globalizada de Hong Kong. Seu valor não flutua, ou seja, não varia conforme a demanda ou a oferta da moeda, obrigando o governo a pagar um valor fixo de dólares norte-americanos para cada dólar de Hong Kong vendido pelos investidores.
Para evitar um desmonte de suas reservas num ataque como o de ontem, o governo automaticamente defende o valor de sua moeda aumentando as taxas de juro ou intervindo diretamente no mercado, comprando a moeda local e tentando inverter a tendência dos investidores. Em Hong Kong, as taxas de um dia no interbancário (mercado onde o Banco Central e bancos privados emprestam entre si) subiram de 4,5% para 7%. As taxas de juro de três meses fecharam ontem a 13%, contra 10% na quinta-feira.
A ofensiva contra o dólar de Hong Kong foi feita simultaneamente a uma espécie de ataque ao yuan, moeda da China, país mais populoso do mundo. Embora o yuan não seja plenamente conversível (não possa ser trocado livremente por moedas estrangeiras), investidores com dinheiro no país usaram o mercado negro ou aproveitaram pequenas frestas deixadas pelo governo chinês para comprar dólares. O yuan fechou o dia valendo 8.2799 por dólar. Na quinta-feira, valia 8.2795. Os ataques derrubaram praticamente todas as Bolsas asiáticas e criaram um sentimento de pânico no mercado.
PrejuízoO governo de Hong Kong tem amplas reservas externas e mantém a determinação de responder a qualquer ataque contra sua moeda, disse o executivo-chefe Tung Chee-Hwa. Ele afirmou que a Autoridade Monetária de Hong Kong, o equivalente ao banco central, vai manter o dólar local atrelado ao dólar norte-americano porque isto é fundamental para a vitalidade econômica de Hong Kong.
Manter o câmbio atrelado é garantir o dinamismo econômico de Hong Kong no longo prazo. Nossa determinação é manter o sistema como política fundamental do governo, afirmou. Tung disse que Hong Kong registra, no curto prazo, os problemas econômicos decorrentes da crise financeira regional, mas acrescentou que a economia está se ajustando e deve melhorar no longo prazo.
O secretário das Finanças, Donald Tsang Yam-kuen, admitiu que o dólar de Hong Kong foi alvo dos especuladores esta semana, mas afirmou que os mesmos perderam dinheiro. Ele afirmou que a autoridade monetária usou fundos do governo na quarta-feira num leilão dirigido não diretamente aos especuladores, embora a venda de dólares norte-americanos tenha tido o efeito de tirar alguns especuladores do mercado.
Tsang disse que, embora não tenha sido necessário esta semana, a autoridade monetária não descarta o uso das taxas de juro para afastar os especuladores.


