Atacarejos ampliam faturamento em Londrina
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terça-feira, 19 de abril de 2016
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
Em tempos de dinheiro curto e queda no consumo, as redes de atacarejo, estabelecimentos atacadistas que oferecem preços menores na aquisição de pequenas quantidades, crescem em volume de vendas. As duas redes presentes em Londrina, Assaí e Atacadão, atribuem seus resultados positivos justamente à possibilidade de comprar a preços menores no momento do arrocho, mas o economista da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Renato Pianowski de Moraes alerta que há "macetes" para aproveitar as ofertas.
O atacarejo difere dos hipermercados por oferecer preços de atacado a quantidades menores de produtos da mesma marca, sabor ou essência. O público-alvo são os pequenos e médios comerciantes e os transformadores (pizzarias e lanchonetes, por exemplo), mas também são atrativos para o consumidor final. Entretanto, esse tipo de estabelecimento oferece mix de produtos menor e menos conforto em comparação às redes de hipermercados.
A rede Assaí inaugurou sua loja em Londrina em outubro de 2013, pouco mais de um ano antes de a atual situação econômica começar a chegar até os lares. Ainda assim, a loja londrinense obteve crescimento de cerca de 15% no volume de operações e de cerca de 20% nas vendas no ano passado em relação a 2014, segundo o gerente-geral regional da rede, José Roberto Clóvis.
Para ele, o resultado é reflexo da vinda de mais consumidores. "Se não estão vindo por amor, vêm pela dor. Muita gente busca manter o mesmo abastecimento de produtos de qualidade. O que nós podemos oferecer, comparado com o varejo, tem uma diferença grande de preços", avalia.
A loja londrinense tem 5,7 mil m² de área de venda e 235 funcionários. Para Clóvis, os principais atrativos são a variedade de marcas, o "a partir de", que começa em três, quatro ou cinco unidades, dependendo da mercadoria, e as formas de pagamento aceita, além de dinheiro e débito, cartão de crédito e vale-alimentação.
No Paraná, a rede atua em Londrina e Maringá e constrói uma loja em Curitiba. Para manter os preços, o segredo, afirma Clóvis, é seguir com o custo reduzido, operação baixa e ter o número de funcionários adequado, sem excessos. "Com isso, conseguimos oferecer uma loja bem próxima do hiper."
Ampliando o mercado
Presente em Londrina há 27 anos, a rede Atacadão, que nasceu em Maringá em 1954 e hoje pertence ao Carrefour, inaugurou sua segunda loja às margens da rodovia BR-369 em maio do ano passado. O presidente da rede, o gaúcho Roberto Müssmich, explica que a loja tradicional, na Avenida Tiradentes, era pequena, com seus cinco mil m² de área de venda. "Essa loja já estava apertada no número de operações. Então, estudamos bastante e inauguramos a unidade com 6,3 mil m²", diz.
O Atacadão tem hoje 125 lojas no Brasil e está presente nas 27 capitais. No Paraná, tem seis lojas espalhadas em cinco cidades e dois atacados, voltados apenas para pessoas jurídicas, em Maringá e Curitiba.
Müssmich diz que as operações nas duas lojas de Londrina chegam a 150 mil ao mês, mas não revela o crescimento da rede - "é acima de dois dígitos, o que significa uma presença maior do consumidor", afirma. Para ele, o sucesso do negócio se explica pela "proposta de preço justo, bem compreendida pelo consumidor, na qual dá para levar mais por menos".
Segundo ele, mesmo que a quantidade de produtos seja menor que a de um hipermercado são de sete a dez mil por lojas, contra até 50 mil nos estabelecimentos de varejo -, o consumidor do Atacadão sai de lá sem nada faltando nas compras.
Mússmich justifica que a rejeição ao débito e aos vales-alimentação são uma opção para manter os preços. "Tudo na vida tem de ter uma perda necessária. O custo para essas operações é muito caro e nós achamos que o consumidor prefere preços baixos", diz.
É por isso, também, que não oferece sacolas plásticas gratuitas. O presidente diz que a loja é planejada para que a compra saia do carrinho direto para o porta-malas, mas recorda que as caixas de papelão dos produtos são oferecidas como alternativa de embalagem. Em última instância, são vendidas sacolas de 10 quilos, mas o custo é revertido para o programa Doutores da Alegria.
Macetes
O economista e professor da UEL Renato Pianowski de Moraes afirma que as compras nas redes de atacarejo têm macetes. Ele sugere a criação de pequeno "clube de compras", com vizinhos, parentes ou amigos, para que sejam realmente vantajosas. "O ideal é ir em cinco pessoas ou famílias e comprar os produtos em caixas, mas precisa estar alerta aos prazos de validade para que não ocorram desperdícios", avisa.
Ele também questiona se as aquisições em grandes quantidades são realmente necessárias. "Se comprar produtos de higiene e limpeza, não vão vencer rapidamente, mas é necessário adquirir um grande volume de uma vez?"


