Rio A inflação medida pelo Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) caiu para 0,23% em outubro, ante 1,25% em setembro. Foi o menor nível do indicador em 14 meses, causado principalmente pelo recuo de preços, no atacado, dos produtos agrícolas (de alta de 0,22% para queda de 1,16%) e industriais (de 2,10% para 0,75%). O período de coleta de preços do IGP-10 de outubro foi do dia 11 de setembro a 10 de outubro. Para o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, o resultado confirma a relativa ''calmaria'' na inflação.
''O cenário é bom, é amigável. Estamos vivendo um momento de tranquilidade na inflação, que não parece ser passageiro'', disse Quadros, acrescentando que o indicador de novembro tem condições de também se ficar abaixo de 1%.
O economista foi cauteloso ao ser questionado se o Comitê de Política Monetária (Copom) deve levar em consideração os últimos resultados positivos dos indicadores inflacionários em sua decisão de elevar ou não a taxa básica de juros (Selic) na reunião que termina hoje. ''O Copom tem melhores instrumentos do que eu para avaliar o que é preciso fazer'', afirmou.
Ao falar sobre o atual cenário positivo, o economista da FGV informou que, no IGP-10 de outubro, o Índice de Preços por Atacado (IPA-10) caiu para 0,25%, ante elevação de 1,60% em setembro. ''Foi o menor patamar do IPA-10 em 14 meses'', explicou Quadros, destacando que a variação de preços dos produtos industriais no atacado foi a menor do ano. O desempenho não engloba o impacto do mais recente reajuste de combustíveis anunciado pela Petrobras, pois o período de coleta do indicador é anterior à entrada em vigor dos novos preços. ''É um resultado importante, visto que em 2004 ocorreram intensas pressões de alta no segmento de industriais, como a dos preços do aço'', disse, salientando que os preços no segmento de ferro, aço e derivados recuaram para menos da metade: de alta de 8,24% em setembro para aumento de 3,05% em outubro.
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) teve queda de 0,02%, ante aumento de 0,49% em setembro. Os recuos expressivos de preços nos grupos alimentação (de alta de 0,76% para queda de 1,19%) e transportes (de aumento de 1,04% para queda de 0,10%) levaram ao resultado.
O Índice Nacional do Custo da Construção (INCC-10) foi o único dos três indicadores que compõem o IGP-10 a apresentar aceleração, de setembro para outubro, passando de 0,74% para 0,82%. O IGP-10 acumula no ano alta de 10,64% e tem elevação de 11,79% em 12 meses.

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