Baratear os custos dos clientes tem sido o grande chamariz dos centros atacadistas de Londrina para vender. Criados no final de 1994 - o ano do Plano Real -, os shoppings atacadistas prometiam se transformar num excelente ponto de venda para os micro e pequenos confeccionistas da Cidade. Naquele ano, surgiram três shoppings de vendas por atacado e, no ano seguinte, foi anunciada a construção de um quarto empreendimento nesse sistema.
Quase três anos depois, continuam no mercado apenas dois centros de moda. Um foi fechado. O projeto de outro shopping acabou mudando de área: lojas de informática vão ocupar o espaço projetado inicialmente para vender roupas. Para se manter no mercado, os centros atacadistas de confecção oferecem promoções criativas e que têm surtido efeito.
Persistência é palavra que não falta no vocabulário do administrador de um shopping atacadista, Edgar Fengler. ‘‘O mercado atacadista não vive os seus melhores dias. Para superar essa dificuldade, estamos fazendo um trabalho grande com lojistas da região de Londrina e do interior do São Paulo para que venham conhecer nossos produtos’’, diz.
Esse trabalho inclui um representante que está visitando esses possíves compradores. ‘‘As excursões, que eram comuns, caíram bastante. Portanto, estamos procurando diretamente o lojista, apresentamos material de divulgação e oferecemos promoções’’, anuncia. Em compras de R$ 500,00 o consumidor ganha 40 litros de combustível, uma diária de hotel e refeição. ‘‘É o que está movimentando o setor’’, avalia.
Fengler diz ainda que, na visita, são cadastrados novos lojistas e anotadas sugestões para que o ponto atacadista fique ainda melhor para atendê-los. O representante leva material de divulgação para os lojistas.
Marcio Paolielo, diretor de outro centro atacadista, diz que os compradores recebem como incentivo bônus em dinheiro. O valor é calculado de acordo com o total da compra. ‘‘Esse dinheiro é para ajuda de custo da viagem, alimentação e hospedagem’’, explica. Há casos até - dependendo do cliente - que o shopping envia uma perua Besta para buscar os clientes, sem custo. Para os lojistas que vêm de ônibus, basta telefonar para o shopping que um carro vai buscá-los na rodoviária e depois os leva.
Num dos shoppings, com capacidade para 107 lojistas, a taxa de ocupação é de 70%. ‘‘Dentro da atual situação econômica, é um bom índice’’, analisa Fengler. Segundo ele, há contatos para que outros fabricantes se instalem no centro atacadista. ‘‘Cerca de 10 a 15 estão analisando proposta para concretizar essa participação’’. No outro, os 96 pontos de venda estão ocupados. A maioria dos fabricantes instalados num centro atacadista é considerada pequena, mas já com estrutura para se manter no mercado.
Edgar Fengler aponta como dificuldades atuais de um shopping atacadista a temporada outono/inverno, com clima quente, que atrapalha a produção de roupas. ‘‘Os pequenos fabricantes não têm estrutura para fazer grandes estoques e ficar esperando o inverno. Não podem investir tudo num clima só. A indústria de tecido também não aposta no clima. Então, a matéria-prima também está difícil. As prontas entregas demoram de 10 a 15 dias’’, diz Fengler.
Para Marcio Paolielo, a falta de financiamento e de mão-de-obra especializada são outros empecilhos para o pequeno fabricante. Paolielo diz que roupas importadas com preço baixo ainda são fortes concorrentes no setor de confecção, embora tenham um peso menor do que nos últimos anos. Compram nos centros atacadistas pequenos e médios comerciantes de Londrina, de cidades da região, do interior de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

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