Vânia Casado
De Curitiba
A alta no preço do feijão que ocorre no atacado há 20 dias vai pressionar o varejo logo após os feriados. A expectativa é que os supermercados ofertem o feijão carioca entre R$ 1,50 a R$ 1,80 o quilo, alta de 100% sobre o mercado fraco de um mês atrás. O feijão preto, que acompanha a alta, em função da escassez dos estoques, será ofertado por R$ 1,50 o quilo.
A previsão é do cerealista Paulo Maranhão, da Paiol Cereais, de Curitiba, empresa fornecedora de grandes redes de supermercados no Paraná e Santa Catarina. Segundo o empresário, o cenário até o final do ano é de altas explosivas no preço do feijão ao consumidor, em função da falta de feijão tanto no mercado interno, como externo. O estoque de 11 milhões de sacas, em poder de cerealistas e produtores é insuficiente para atender a demanda nos quatro meses que restam para fechar o ano, já que o consumo mensal no país está avaliado em 5 milhões de sacas.
O aumento no preço do feijão carioca e preto deverá provocar um impacto superior a 5% no custo da cesta básica, calculou o economista do Dieese, Cid Cordeiro. Se a alta no preço do produto apresentar uma variação de 30%, o impacto na cesta será de 1,5%, o que representa um índice significativo que deverá pesar no bolso das familias de baixo poder aquisitivo, com renda até três salários mínimos, cujos gastos com alimentação são maiores.
Já no orçamento familiar, o impacto é menor, com 0,33%. Para as famílias com renda até três salários minimos o impacto é de 0,67%. O impacto só não é maior porque os consumidores substituem o feijão por outros produtos, como o macarrão, quando o preço aumenta muito, disse Paulo Maranhão. Ele prevê uma retração no consumo de 25% a 30% em função do aumento de preços.
A alta no preço do feijão que iniciou com um movimento especulativo por parte de produtores da região Central e cerealistas da região Sul, ganhou corpo com a escassez dos estoques. As quebras de safra em São Paulo, Goiás e Nordeste sustentam a alta. O custo da saca pode chegar a R$ 100,00, como no ano passado. O plantio de nova safra no Paraná que iria abastecer o mercado durante a entressafra está comprometido.
Até as importações para complementar o abastecimento esse ano estão dificultadas pela falta do produto em outros paises que também passaram a importar. É o caso do Chile e México, cujas lavouras também foram prejudicados pelo clima. Além disso, o mercado entre os países está interligado, e a Argentina elevou os preços do produto que ainda dispõe quase simultâneamente ao mercado brasileiro. O feijão preto que era comprado por US$ 270/t na Argentina, há 10 dias, aumentou para US$ 370/t.

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