Ata sinaliza queda lenta dos juros
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sexta-feira, 02 de dezembro de 2005
Agência Estado 
Brasília- A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem pelo Banco Central (BC), jogou uma ducha de água fria nas expectativas de mercado sobre uma eventual aceleração da queda dos juros já neste mês. Ao afirmar que a inflação surpreendeu por ter sido mais alta do que o esperado, os diretores do BC deram uma indicação que se manterão conservadores.
A aposta em um corte mais ousado havia sido reforçada pela reação de integrantes do governo, do empresariado e do próprio mercado diante da retração de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre. Os ministros do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, e do Planejamento, Paulo Bernardo, por exemplo, pediram cortes maiores nos juros.
No entanto, a ata, que foi escrita antes da divulgação desse dado negativo, afirma que a economia vai se recuperar no fim do ano, depois de um setembro e um outubro fracos. Ou seja, os diretores do Banco Central já esperavam um resultado negativo e não se impressionaram com o desempenho do PIB.
''O BC continua preocupado com a inflação corrente e postergou uma possível queda mais rápida dos juros para março'', disse o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas. A decisão, segundo Freitas, terá efeitos negativos sobre o comportamento da atividade econômica no primeiro trimestre de 2006. ''Com a ata, os empresários vão postergar os investimentos para o segundo trimestre'', afirmou Thadeu de Freitas, que já foi diretor do BC.
O crescimento do PIB do próximo ano ficará, neste cenário, em cerca de 3,5%, segundo o economista da CNC e professor do Ibmec-Rio. ''Na prática, teremos um crescimento de 3% porque cerca de 0,4% da expansão do PIB de 2005 passará para o próximo ano'', disse.


