Ata do Copom sinaliza manutenção da Selic
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sexta-feira, 26 de outubro de 2007
João Caminoto<br> Agência Estado 
São Paulo - A ata da reunião do Copom veio do jeito que a maioria dos analistas esperava: conservadora, e sinalizando a manutenção da Selic até, pelo menos, o início de 2008. Para o economista sênior do banco Dresdner Kleinwort, Nuno Camara, a mensagem foi clara. ''A inflação está sob controle, mas o Banco Central olha para o futuro e isso significa que por causa da diferença entre a oferta e demanda agregada, o balanço de riscos aumentou significativamente e a melhor política é a de errar pelo lado cautela, por enquanto'', disse. ''A Selic deve ser mantida inalterada pelo menos até o primeiro trimestre de 2008.''
Segundo Camara, o BC corretamente enfatizou os níveis historicamente elevados da utilização da capacidade produtiva. ''Ele observa que a utilização da capacidade continua a aumentar apesar da alta aguda nos investimentos'', disse. ''Afinal, como o BC observou, aumentos sistemáticos na utilização da capacidade foram acompanhados por uma alta na inflação no passado''.
Na avaliação do Royal Bank of Scotland, a ata não mudou muito em relação a anterior. ''O tom conservador foi mantido, embora ele tenha sido mais leve do que era de se esperar para uma decisão unânime pela pausa nos juros'', disseram Flavia Cattan-Naslausky e Benito Berber-Lopez, analistas do banco britânico. ''A linguagem foi cuidadosa em deixar a porta aberta para a retomada dos cortes, que deve ocorrer no primeiro semestre de 2008.''
Eles observaram que as principais preocupações do Banco Central continuam sendo o forte ritmo de crescimento econômico e o risco de pressões sobre os preços causadas pela alta dos preços das commodities. Pedro Jobim e Diogo Almeida, economistas do banco ING, também concluíram que o documento trouxe uma avaliação para os riscos inflacionários muito similar ao apresentado em setembro.
Os dois analistas acreditam que, embora a inflação deva continuar contida, o BC vai manter a Selic estacionada por algum tempo até que a incerteza relacionada à inflação de 2008 seja esclarecida parcialmente. ''Não prevemos a retomada do relaxamento monetário antes de abril de 2008.''


