Brasília - O Banco Central (BC) criticou a política de correção dos preços de combustíveis da Petrobras e alertou que a demora do governo em reajustar os valores da gasolina e do diesel levará a mais aumentos de juros para conter as expectativas inflacionárias dos agentes econômicos. E, nesse contexto, quanto mais demorar, menores serão as chances de o BC ser bem-sucedido. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, mostrou que os diretores do Banco estão preocupados com a intensidade e a persistência na alta do preço do petróleo no mercado externo e o impacto na inflação de 2005.
Diante da combinação de petróleo em alta com reforço nas apostas de piora na inflação, os diretores afirmam que continuarão elevando a taxa de juros nos próximos meses. Nos últimos dois meses, a taxa básica de juros subiu 0,75 ponto porcentual, passando de 16,25% em setembro para 16,75% na semana passada.
''Continua indefinida a trajetória de realinhamento dos preços dos derivados de petróleo em relação às cotações internacionais e aumenta a possibilidade de que o impacto desse realinhamento - na medida em que possa ser postergado, mas não evitado - acabe contaminando mais fortemente a inflação de 2005'', destacam os diretores na ata. ''Além disso, uma mera protelação reduziria a eficácia da política monetária'', completam. Na avaliação dos diretores, ao adiar o reajuste dos combustíveis, o governo está prolongando a piora na percepção de investidores, empresários e consumidores em geral de que haverá um choque inflacionário mais à frente.
Por um lado, isso afeta diretamente a formação dos preços, já que a expectativa do setor privado é de subida da inflação na futuro. Por outro, joga por terra o esforço do BC, que tem tentado provar, com o aumento dos juros nos últimos meses, que não será leniente com a inflação e combaterá altas generalizadas nos preços. Os agentes econômicos, como bancos e fundos de investimentos, passam a exigir taxas de juros nominais cada vez mais elevadas na idéia de que, dessa forma, o ganho real (descontada a inflação esperada) será mantido no final.
''A deterioração das expectativas para a inflação de 2005 ainda não estancou, a despeito da apreciação da taxa de câmbio, do comportamento favorável da inflação, da queda recente dos preços internacionais de importantes commodities e da sinalização de aperto na política monetária ao longo dos últimos meses'', diz a ata.
Como a elevação dos juros demora para surtir efeito na economia, o movimento feito pelo BC nos juros está focando a inflação de 2005. Por isso, a tendência é de novos aumentos na taxa nos próximos meses.

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