Ata alimenta expectativa de queda dos juros
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quinta-feira, 25 de agosto de 2005
Agência Estado 
Brasília A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada ontem alimentou as expectativas do mercado que a taxa de juros começará a cair já na próxima reunião, em setembro.
O documento não faz essa afirmação, mas indica essa tendência, ao traçar um cenário otimista para a evolução da economia e das taxas de inflação nos próximos meses. A taxa de juros básica do País, a Selic está em 19,75% desde maio passado.
A exemplo do que ocorreu no mês passado, a ata não menciona a crise política nem os riscos que ela traz para a economia. No entanto, desde o final de julho, a crise vem fazendo oscilar as cotações da bolsa, do dólar e dos papéis da dívida externa. Além disso, a ata reflete uma avaliação feita na quarta-feira da semana passada, quando o advogado Rogério Buratti ainda não havia lançado o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, no centro da crise. Na última sexta-feira, Buratti deu um depoimento ao Ministério Público de São Paulo em que acusou o ministro Palocci de ter recebido propina mensal de R$ 50 mil da empresa Leão& Leão quando era prefeito de Ribeirão Preto.
As esperanças de queda na taxa de juros cresceram principalmente porque a ata divulgada ontem não trouxe a expressão ''manutenção de juro por tempo suficientemente longo'', que constava dos documentos anteriores e vinha sendo apontada como um sinal de continuidade do aperto monetário. Em vez disso, o texto diz apenas que o Copom acompanhará a evolução das perspectivas de inflação, até a reunião de setembro, para definir os próximos passos da política monetária. Nesse momento, segundo o Copom, ''um cenário benigno para a evolução da inflação continua se configurando de maneira cada vez mais definida''.
Embora a projeção para o IPCA neste ano ainda esteja acima da meta de 5,1%, as estimativas do mercado financeiro e do próprio Banco Central têm caído sucessivamente, se aproximando daquele objetivo. A ata salienta que essa melhora veio da ''surpresa positiva'' na inflação de julho, quando vários índices mostraram deflação, e da reestimativa para reajuste de preços administrados, como tarifas de ônibus, gás, luz e telefone, para o resto do ano.


