ASUR deverá assumir aeroportos da Motiva ainda em 2026
Expectativa é de manutenção de toda a equipe que atua no braço aeroportuário da Motiva no Brasil e no exterior após venda ao grupo mexicano
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quarta-feira, 17 de junho de 2026
Expectativa é de manutenção de toda a equipe que atua no braço aeroportuário da Motiva no Brasil e no exterior após venda ao grupo mexicano

O grupo mexicano ASUR (Grupo Aeroportuario del Sureste) deverá assumir os aeroportos administrados pela Motiva até o final deste ano. O processo de transferência do controle societário segue o ritmo esperado e após a aprovação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), na última sexta-feira (12), o próximo passo dentro dos ritos de aprovação dos órgãos é a anuência dos credores para que seja feita a transferência da dívida.
Por envolver ativos e faturamento em outros países, a negociação passa também pelos CADEs internacionais, os órgãos de defesa da concorrência. Entre os 20 terminais aeroportuários administrados pela Motiva e que serão transferidos para a ASUR, três são internacionais e estão localizados no Equador, na Costa Rica e na ilha caribenha de Curaçao. No total, a transação chegou a R$ 11,5 bilhões, sendo R$ 5 bilhões em patrimônio líquido e R$ 6,5 bilhões em dívidas.
Nesta terça-feira (16), em entrevista à FOLHA, a gerente de Negócios Aéreos da Motiva, Graziella Delicato, disse que, na prática, a transferência será apenas de CNPJ e que toda a equipe da CPC, a holding que reúne todos os ativos aeroportuários da Motiva no Brasil e no exterior, será mantida quando os terminais passarem a ser administrados pelo grupo mexicano. "Ficou muito claro na venda que todo o time fica. Todo mundo será transferido junto com a empresa", afirmou a gerente.
A expectativa vale também para os mais de mil funcionários diretos e para os terceirizados. "Os nossos contratos são sub-rogados. Assim como foi da Infraero para nós, será da plataforma da Motiva para a Asur. Tudo permanece igual porque foi uma venda do CNPJ", explicou Delicato. "É muito mais simples. Você transfere tudo e permanece toda a rede de contratos, fornecedores, tudo igual. Isso dá mais estabilidade ao processo."
Sob a ótica regulatória, a Anac informou que apenas acompanha a operação de transferência de controle societário com fundamento nos contratos de concessão vigentes e na legislação aplicável. O objetivo, disse o órgão regulador, é garantir a regularidade dos serviços prestados aos usuários pela concessionária, tanto durante o período de transição quanto após a eventual concretização da operação.
"A transferência de controle societário não altera a titularidade das concessões nem da personalidade jurídica das concessionárias, que permanecem integralmente responsáveis pelo fiel cumprimento de todas as obrigações contratuais assumidas. Isso abrange, entre outros aspectos, o atendimento aos níveis de serviço, os padrões de desempenho, a realização dos investimentos obrigatórios e a adequada manutenção da infraestrutura aeroportuária, nos termos previstos nos respectivos contratos de concessão", disse a Anac em nota enviada por sua assessoria de imprensa.
O acompanhamento exercido pela Anac é contínuo e permanente, inserindo-se no âmbito da gestão ordinária dos contratos de concessão e não se limitando ao momento específico da transferência de controle.
Entre os 20 aeroportos vendidos pela Motiva à ASUR estão os 17 do Bloco Sul do pacote de concessões, arrematado em 2021. No bloco, além do Aeroporto Governador José Richa, em Londrina, estão também os terminais de São José dos Pinhais (PR), Confins, em Belo Horizonte (MG), Goiânia (GO) e Foz do Iguaçu (PR).
O braço aeroportuário da Motiva é um negócio em crescimento e expansão. Em 2025, a empresa registrou alta de mais de 6% no movimento de passageiros na comparação com 2024, somando quase 48 milhões. O lucro líquido ajustado cresceu 25%, chegando a R$ 2,225 milhões e os investimentos da empresa nos terminais aeroportuários totalizaram R$ 780 milhões.
Apesar dos resultados expressivos, a venda foi uma decisão estratégica da holding, que planeja concentrar os esforços operacionais e de negócio nas rodovias. A Motiva também atua no segmento de trilhos, para o qual deverá buscar parceiros. "O pipeline de oportunidades de novas concessões para aeroportos está cada vez menor. Sobrou só o Santos Dumont (RJ). O restante já está todo concessionado, os maiores", disse Delicato. "Agora começa um processo, se você quiser crescer em aeroportos na América do Sul, você vai ter que se unir com outros grupos. Já na concessão de rodovias, tem muita rodovia que vai ser concessionada. O pipeline de rodovias, aqui no Brasil, está mais aquecido."
A Motiva deixa a administração dos aeroportos com um histórico de R$ 2 bilhões em investimentos realizados em menos de três anos. No terminal londrinense, os aportes somaram R$ 200 milhões, o que representa 10% do total. Entre as melhorias promovidas pela Motiva no aeroporto local, Delicato destacou a ampliação da pista, a construção de um novo pátio para aviação comercial, a aquisição de duas pontes de embarque e a expansão do terminal, além da instalação do ILS, instrumento de auxílio a pousos em condições climáticas ruins. "Tudo isso trouxe mais conforto para o passageiro."
Os investimentos futuros, que serão realizados pela ASUR, estarão atrelados ao aumento da demanda.
Em relação ao aumento do número de voos chegando e partindo de Londrina, Delicato destacou que essa questão não está relacionada à concessionária e é uma decisão operacional e estratégica das empresas aéreas. "Campo Grande, Porto Alegre e Brasília são destinos que têm bastante fluxo daqui de Londrina, mas a parte da malha aérea é muito ligada ao momento da companhia aérea. Não estamos vivendo um momento muito bom. As empresas estão reduzindo os custos", avaliou a gerente.


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


