A mexicana Grupo Aeroportuario del Sureste (ASUR) concluiu a aquisição da plataforma de aeroportos da Motiva, incluindo o Aeroporto Governador José Richa, em Londrina. O negócio soma R$ 12,2 bilhões, segundo comunicado da Motiva, sendo R$ 5,2 bilhões em equity pela totalidade das ações da CPC Holding, empresa que concentrava as participações da companhia nos aeroportos, e R$ 7 bilhões referentes às dívidas dos ativos.

A conclusão da operação marca a entrada oficial da ASUR no mercado brasileiro e representa o maior movimento de expansão internacional da companhia mexicana. A aquisição envolve participações em 20 aeroportos, sendo 17 no Brasil e três no exterior — Quito, no Equador, San José, na Costa Rica, e Curaçao.

Com a transação, a ASUR passa a administrar uma plataforma que movimentou mais de 48 milhões de passageiros em 2025, em mais de 200 rotas regulares. Esse volume se soma aos 71,6 milhões de passageiros registrados anualmente pela rede que já era administrada pelo grupo, consolidando a posição da companhia como uma das maiores plataformas aeroportuárias das Américas em movimentação de passageiros.

No Paraná, além de Londrina, a nova estrutura inclui os aeroportos Afonso Pena e Bacacheri, em Curitiba, e o terminal de Foz do Iguaçu. Ao todo, os 17 aeroportos brasileiros estão distribuídos por nove estados e abrangem as cinco regiões do país.

Segundo a ASUR, a mudança de controle não altera, neste momento, a operação dos terminais. Cerca de 1.000 profissionais que já trabalhavam na plataforma aeroportuária no Brasil permanecem nas funções e passam a integrar a estrutura da empresa mexicana. Os canais de atendimento e as relações com companhias aéreas, fornecedores, operadores logísticos e demais parceiros também serão mantidos.

José Formoso assume o comando da ASUR Brasil. Com mais de 30 anos de experiência nos setores de infraestrutura, telecomunicações, tecnologia e inovação, ele já comandou empresas como Embratel e Claro Empresas. “Nossa prioridade é assegurar uma transição estável, segura e próxima das pessoas. A permanência das equipes preserva o conhecimento de cada aeroporto e garante a continuidade do atendimento a passageiros, companhias aéreas, parceiros e comunidades”, afirma Formoso.

O Grupo ASUR (Aeroportuario del Sureste) foi fundado em 1998, com sede no México. É um dos principais operadores aeroportuários internacionais. Sua plataforma reúne operações e participações no Brasil, México, Colômbia, Porto Rico, Equador, Costa Rica e Curaçao, além de atividades em importantes aeroportos dos Estados Unidos (Los Angeles, Nova York JFK e Chicago). Em 2000, tornou-se a primeira operadora aeroportuária do mundo a ter ações negociadas simultaneamente na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE: ASR) e na Bolsa Mexicana de Valores (BMV: ASUR).

Motiva muda o foco dos investimentos

A venda encerra a participação da Motiva no negócio aeroportuário e faz parte da estratégia da companhia de simplificar seu portfólio e concentrar investimentos em rodovias e trilhos. Antes da venda dos aeroportos, a empresa já havia encerrado a operação de Barcas, no Rio de Janeiro, e repactuado o contrato da BR-163/MS, atualmente operada pela Motiva Pantanal.

A transação foi submetida à aprovação de órgãos de defesa da concorrência, credores e poderes concedentes dos países envolvidos. Durante o processo, a Motiva continuou administrando os terminais e mantendo os contratos e o quadro de colaboradores.

A partir da conclusão da venda, tem início um período de transição acordado entre as partes. A Motiva continuará prestando temporariamente serviços administrativos e de backoffice para garantir a continuidade operacional dos 20 aeroportos, incluindo áreas como folha de pagamentos, suprimentos e tecnologia da informação.

Os funcionários da plataforma aeroportuária passam para a estrutura da ASUR, enquanto os resultados dos aeroportos deixam de ser consolidados pela Motiva a partir do terceiro trimestre de 2026.

Para a Motiva, a operação libera recursos para novos investimentos nos segmentos de rodovias e trilhos, áreas consideradas estratégicas pela companhia. “A conclusão desta transação é um passo estratégico para simplificarmos o nosso portfólio e ampliarmos a nossa capacidade de investimentos em rodovias e trilhos”, afirmou o CEO da Motiva, Miguel Setas.

Com assessorias de imprensa

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