Associações podem ser solução
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segunda-feira, 17 de março de 1997
Josiane Schulz Especial para a Folha 
Ao contrário do que muitos pensam, as áreas das propriedades rurais que não são específicas para a produção agrícola podem se tornar excelentes alternativas de retorno econômico. Além disso, elas podem representar um importante auxílio na recuperação ambiental do Paraná. Essas são algumas vantagens que o reflorestamento comercial pode trazer ao agricultor.
O incentivo a esse tipo de investimento é a principal meta estabelecida pelo Fórum Regional sobre Reflorestamento Econômico, que aconteceu ontem, em Porecatu, no Norte do Paraná. Segundo o representante do Projeto Novas Fronteiras do Cooperativismo, do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, Afrânio Miglan, o Paraná tem um déficit quase absoluto de florestas comerciais. Ao mesmo tempo, o consumo chega a 94 milhões de árvores por ano. Ou seja, o reflorestamento é um mercado altamente promissor.
Miglan explica que todas as empresas que utilizam madeira, seja para lenha ou fabricação de móveis, são obrigadas por lei a manter uma área de reflorestamento comercial. Como muitas delas não têm espaço ou recursos suficientes para esse investimento, a parceria com os produtores rurais seria uma opção viável. Ao mesmo tempo que o produtor rural vai obter renda de uma área até então ociosa, as empresas terão como cumprir a lei e atender suas demandas comcustos mais baixos que a produção individual, afirma Miglan.
Para isso, o Fórum propôs a formação de associações regionais de reflorestamento. Constituídas por empresas que utilizam madeira, essas organizações ficariam responsáveis por fornecer mudas e assistência técnica para os produtores rurais, que revenderiam a elas a produção.
O Fórum definiu que esse trabalho de convencimento de empresários e produtores rurais deve começar já. Ele será feito através de reuniões, envolvendo prefeituras, instituições de pesquisa e associações comerciais e industriais de todas as regiões paranaenses. A primeira reunião já está marcada para abril e acontece na região de Londrina.
Segundo Miglan, para investirem no reflorestamento comercial, os produtores rurais não precisam de áreas muito extensas. Um espaço de dois a cinco hectares são suficientes para a instalação de um maciço florestal. A renda por hectare é de no mínimo R$ 300,00 ao ano, desde a data do plantio. As espécies mais promissoras são o eucalipto e o pinus. O eucalipto começa a dar retorno após 5 anos.
Além do aspecto econômico, a preservação e recuperação ambiental é outro ponto forte desse trabalho. Miglan lembra que se o reflorestamento não for levado a sério, até o ano 2004 não haverá mais florestas no Paraná. E isso vai implicar em problemas mais graves, como a falta de água potável.
Participaram do Fórum Regional sobre Reflorestamento Econômico, a vice-governadora do Paraná, Emília Belinati, o secretário Estadual da Agricultura e do Abastecimento, Hermas Brandão, o delegado regional do Ministério da Agricultura, Mário Bezerra, além de representantes de instituições de pesquisa, cooperativas e empresas de extensão rural.


