Associação rebate pesquisa sobre práticas abusivas
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quarta-feira, 02 de junho de 2004
Agência Estado 
São Paulo - O presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Sussumo Honda, rebateu ontem as afirmações feitas pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, acusando os varejistas de adotar práticas abusivas contra os fornecedores. Pelos dados da Apas, as dez maiores redes de supermercados em São Paulo detêm entre 30% e 40% do faturamento do setor. Mas a pesquisa da Fiesp, realizada pela FGV-Consult, diz que cinco redes são responsáveis por 69,9% do faturamento, o que comprovaria a concentração na cidade.
O executivo disse que há, sim, um forte processo de concentração, mas na indústria. Citou, como exemplos, os segmentos de bebidas, chocolates, higiene e beleza, em que quatro ou cinco empresas detêm 70% do mercado. Honda lembrou, ainda, que a introdução de práticas para compra e exposição de produtos adotada hoje pelas grandes redes varejistas foi feita, na verdade, pela própria indústria anos atrás, ''quando tinha gordura para queimar''. Em outras palavras, quando o varejo era menos concentrado, os fornecedores é que pediam condições especiais para vender. ''Nos últimos anos, com a evolução das redes de supermercados, das lojas de material de construção e de farmácias, os varejistas passaram a cobrar por isso'', retrucou o executivo.
O estudo divulgado terça-feira pela Fiesp sobre o impacto da concentração do varejo sobre a indústria mostra que há 27 práticas de cobrança adotas pelos supermercados que diminuem as margens dos fornecedores, forçando parte deles a sair do mercado. O executivo rebateu, também, as acusações da Fiesp de que o crescente uso de marcas próprias é prejudicial à indústria. ''O consumidor tem o direito de ter acesso a um produto de qualidade a preços mais em conta'', argumenta.


