Aumento do custo de produção em torno de 20% e a queda do dólar devem repercurtir de forma negativa nas exportações do setor moveleiro este ano no Brasil. A previsão pouco otimista é do presidente da Associação Brasileira do Mobiliário (Abimóvel), Domingos Sávio Rigoni, que visitou ontem a Movelpar - Feira de Móveis do Paraná -, que acontece no Pavilhão da Expoara, em Arapongas.
Segundo ele, o Brasil exporta 22% de sua produção anual. No ano passado, registrou crescimento de 42% nas exportações em relação ao ano anterior, que fechou em 25%. Este ano, Rigoni diz ser difícil fazer qualquer previsão devido a esses fatores e a falta de uma política voltada para a exportação.
''Com muito otimismo estimamos crescer no mercado externo 15% este ano e, no mercado interno, cerca de 10% contra os 14% registrados no ano passado'', avalia Rigoni, lembrando que o maior exportador do Rio Grande do Sul fechou as portas da fábrica demitindo 800 funcionários nesse início de ano. ''O setor precisa de uma política industrial, financiamento para importação de tecnologia, de apoio no que diz respeito à redução da carga tributária, além de que o fabricante precisa investir em designer para concorrer no mercado interno e externo.''
Outro aspecto que influencia de forma negativa o setor é a exportação da matéria-prima, que no ano passado cresceu 40% em relação a 2003 - cerca de US$ 4 bilhões. ''Se esse número fosse transformado em móveis, o Brasil exportaria US$ 5 bilhões e não US$ 940 milhões como exportou em 2004'', comentou Rigoni. O maior comprador da matéria-prima é a China, que é também o maior fabricante de móveis do mundo. ''Na verdade, a China é um calo no sapato da maioria dos países que exportam. A China consegue importar a matéria-prima e vender mais barato. O Brasil tem dificuldade de exportar móveis por causa da China'', criticou.
O presidente da entidade defende a aproximação entre os setores da cadeia produtiva para fortalecimento do setor, através de uma campanha de valorização do móvel. A Abimóvel pretende lançar o selo qualidade. ''Hoje quem compra quer ter qualidade. No Brasil existe muito a cultura de vender preço, mas temos que vender durabilidade e resistência com designer moderno'', comentou.
O diretor executivo da Expoara, Rubens Ortiz, informou que o Projeto Comprador, que tem o apoio da Agência de Promoção (Apex) e Exportação e Abimóvel, vai trazer importadores de 16 países, para participar das cerca de 300 rodadas de negócio que estão agendadas durante a feira. O programa tem por objetivo estimular a exportação de móveis brasileiros desde 2000.
Em Arapongas, segundo pólo moveleiro do País, pelo menos 60 das 145 empresas do setor exportam. O setor faturou em 2004 R$ 840 milhões, dos quais 13% foram com exportação. ''Queremos chegar a 18% este ano sem perder o foco para o mercado interno'', informou Ortiz. Ele também revelou que está em discussão a realização para o ano que vem da Brasil Eletron - uma feira de eletrodomésticos, que poderá ser lançada em fevereiro de 2006.
Ortiz anunciou também a vinda do governador Roberto Requião amanhã ao Expoara.

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