Associação dos exportadores ironiza FHC
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quarta-feira, 05 de setembro de 2001
Agência Folha 
O presidente da Associação dos Exportadores Brasileiros (AEB), Benedito Moreira, disse que é impossível o Brasil conseguir aumentar em 20% suas exportações neste ano como espera o governo. ''Se chegarmos a 5%, vamos fazer festa'', disse. Moreira ironizou os lemas ''exportar ou morrer'' e ''exportar para viver'', lançados pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Para o presidente da associação, frases desse tipo são ''muito bonitas'', mas o tema necessita de ações concretas. ''Exportar ou morrer, exportar para viver, não importa. Para exportar, tem de botar o pé no chão.''
Segundo ele, o Brasil precisa de políticas de desenvolvimento que transformem o perfil da pauta de vendas externas. Atualmente, 60% das exportações brasileiras correspondem a commodities, cujo valor agregado é baixo. ''Temos propensão muito forte às importações, não acompanhada pela capacidade do País de exportar'', afirmou.
Para Moreira, é preciso organizar as políticas internas, com a queda da taxa de juros e a reforma tributária, para aumentar as exportações. O presidente da AEB disse que o Brasil tem condições de exportar US$ 100 bilhões anualmente a partir dos próximos quatro ou cinco anos. Mas, para que isso ocorra, afirmou, é necessário um crescimento de 15% nas exportações, o ''que reduziria a dependência externa por financiamentos e melhoraria as contas do Brasil''.
''O governo precisa acumular novamente um megasuperávit da balança comercial que deixou de lado'', disse. Ele afirmou que existe um problema sério de competitividade da logística brasileira. O que não ocorre na mesma intensidade com o setor industrial.
Sobre as relações comerciais do Brasil com os países desenvolvidos, disse que o Brasil não tem condição estrutural para negociar nada na Alca e na União Européia. ''É ingênuo acreditar que a União Européia vai derrubar práticas tarifárias centenárias. A Alca é outro tipo de aventura, pois os EUA têm enorme tradição protecionista e não vão abrir mão de sua lei antidumping e da proteção à agricultura'', disse.
O secretário-executivo da Camex, Roberto Giannetti da Fonseca, admitiu que as exportações brasileiras poderão crescer apenas 6% neste ano. O comércio mundial deve crescer 3% neste ano. Já o governo brasileiro estima para este ano, oficialmente, um crescimento de 20% nas exportações.


