Curitiba - A comunidade portuária não está satisfeita com a condução das pendências que originaram a greve no Porto de Paranaguá, no final de março. Amanhã, dirigentes da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), da Comissão Portos, Confederação Nacional da Agricultura terão uma audiência com o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, para cobrar providências do governo federal a respeito de uma definição sobre a administração do Porto de Paranaguá.
De acordo com o presidente da ABTP, Willen Mantelli, ''está havendo muitos questionamentos, muitos relatórios e pouca ação''. ''Não podemos mais arcar com a continuidade dos prejuízos'', argumentou. De acordo com o empresário, a entidade ainda não fez um levantamento da quantidade de navios que desviou a rota para evitar a atracação no porto paranaense.
''Lamentavelmente a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) está reingessando as atividades no porto paranaense e a situação está se deteriorando'', salientou. Essa semana, novas filas de caminhões estão se formando ao longo da BR-277 por causa das chuvas que obrigam a paralisação dos embarques de soja em grão. Mantelli acusa a direção do porto de ser ineficiente e de estar provocando prejuízos aos produtores rurais.
Segundo Mantelli, a Appa já respondeu e entregou as informações solicitadas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e até agora nada foi feito. A assessoria da Appa informou que as respostas sobre as medidas administrativas que vêm sendo adotadas no porto foi enviada à agência federal no último dia 22. Nessa resposta, foram enviados os projetos solicitados.
Para Mantelli, o importante é saber se a Appa enviou justificativas a respeito das medidas que foram ou não adotadas. ''Um bom administrador público apresenta suas justificativas quando requisitado'', explicou. A única providência adotada até agora, de acordo com o representante da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Nilson Camargo, foi a contratação de uma empresa para combater zoonoses provocadas pela infestação de ratos.
Por outro lado, a Appa está cobrando dos terminais portuários privados um plano de segurança, conforme normas internacionais. A Appa informou que 21 operadores ainda não entregaram o relatório e podem ficar impedidos de operar.
Na Antaq, a resposta ao relatório sobre Paranaguá está sendo analisada e não há um prazo definido para resposta. O superintendente do porto, Eduardo Requião, foi procurado pela Folha, mas não foi encontrado.

mockup