Assintomáticos também podem ter a doença
Curitiba - A necessidade de repetir os exames para detectar a ocorrência de um surto de febre aftosa no Paraná pode ser um indício que o laboratório do Ministério da Agricultura, em Belém do Pará, esteja fazendo os testes finais de confirmação da doença no Estado. Por causa da necessidade de coletar mais material, o Ministério adiou a divulgação dos resultados, que seriam anunciados hoje, para meados da próxima semana.
Segundo o médico veterinário e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), José Francisco Warth, o exame das células raspadas do esôfago dos animais, conhecido como Probang, é adotado quando se quer verificar a existência do vírus em animais que não apresentam os sintomas da doença.
Quando o animal já apresenta os sintomas da doença como febre alta, afta e vesículas na mucosa oral, o líquido recolhido da vesícula é a melhor forma de isolamento do vírus. Nos animais ditos assintomáticos, porque não exibem os sintomas da doença, os estudos mostram que se deve fazer a raspagem da mucosa do esôfago porque é nesse local que o vírus se mantém.
O bovino pode ser portador do vírus e não desenvolver a doença. Ou então vai desenvolvê-la seis meses para frente num momento de stress, baixa imunidade ou então quando tiver escassez de alimentos, disse o professor.
Na sorologia, os resultados podem ser mascarados quando os animais foram vacinados. Ocorre que o vírus da febre aftosa se constrói aos poucos dentro das células, como se fosse uma linha de montagem de veículos, comparou Warth. Segundo ele, o vírus vacinal não replica no organismo do animal e o vírus da doença replica, e muito rapidamente. A diferença é que o animal infectado apresenta o enzima da construção do vírus, o que não ocorre nos animais apenas imunizados. (V.C.)





