Assinatura básica de telefones aumenta 7.000% em 15 anos
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domingo, 15 de novembro de 2009
<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O preço da assinatura básica da telefonia fixa aumentou quase 7.000% desde o lançamento do Plano Real, em 1994, revela estudo realizado pela subseção do Dieese no Sindicato dos Engenheiros no Estado do Paraná (Senge-PR). Uma assinatura básica residencial custava 6.986,89% mais caro em setembro passado que em julho de 94. No período, a inflação medida pelo INPC cresceu 256,93%.
A causa principal dos aumentos é a privatização no setor - boa parte dos reajutes veio após a venda do sistema Telebrás, em 1998. E mesmo os aumentos anteriores à venda (como o reajuste de 270% autorizado em 1997) tinham como justificativa ''preparar o setor para a privatização, tornando-o atraente aos investidores internacionais''.
A conclusão faz parte do estudo ''Tarifas públicas como fatores de concentração de renda: análise das tarifas de telefonia fixa'', elaborado pelos economistas Fabiano Camargo, da subseção do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Senge-PR, e Sandro Silva, do Dieese.
''Serviços públicos essenciais, como o de telefonia, deveriam ser acessíveis a todos, promovendo o acesso da sociedade aos benefícios da tecnologia da informação. O que se vê, na prática, é exatamente o contrário - há dificuldade de acesso da população mais carente aos serviços de telecomunicações'', argumenta o estudo.
O estudo analisa ainda em quanto os serviços de telecomunicações comprometem a renda da população. Em 2008 o brasileiro comprometia em média 5,9% da sua renda com um pacote básico de telefonia fixa, o que colocava o País na 113 posição numa escala crescente de custo que avalia 150 países. Nesta classificação, o Brasil fica a frente apenas de nações de menor grau de desenvolvimento econômico, cujas populações comprometem um elevado percentual de suas cestas de consumo com telecomunicações, caso de Nicarágua (6,2%), Angola (9,5%), Marrocos (14,6%), Bolívia (21,65) e Madagascar (68,5%).


