A Petrobras e a Yacimientos Petrolíferos Fiscales, a estatal boliviana de petróleo, assinaram ontem com um grupo de empresas privadas os contratos para a construção do gasoduto Brasil-Bolívia. A obra, com valor total estimado em US$ 2 bilhões, vai permitir a exportação de 16 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural da Bolívia ao Brasil, o equivalente a 100 mil barris diários de petróleo.
O presidente Fernando Henrique, que presidiu a cerimônia ao lado do presidente boliviano, Gonzalo Sanches de Lozada, na localidade de Puerto Quijarro, na Bolívia, disse que, pelo seu porte, o gasoduto pode ser comparado à Hidrelétrica de Itaipu, que o Brasil construiu em sociedade com o Paraguai na década de 70. O gasoduto Brasil-Bolívia terá 3.150 quilômetros de extensão e vai atravessar cinco estados e 130 municípios no Brasil.
O primeiro trecho da tubulação, ligando Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e Guararema, nas cercanias de São Paulo, deve entrar em operação em dezembro do próximo ano. Em outubro de 1999 deve estar concluído um entroncamento que partirá de Paulínia, na região de Campinas (SP), e irá até Canoas (RS). Metade do custo da obra será financiado por instituições internacionais, como o Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Com o gasoduto, a matriz energética brrasileira será profundamente modificada. O uso do gás natural, que atualmente corresponde a apenas 2,4% do total de combustíveis utilizados no País, subirá para 12% no início da próxima década. Inicialmente o fornecimento da Bolívia ao Brasil será de 8 milhões de metros cúbicos diários. A meta de 16 milhões de metros cúbicos será atingida em oito anos. O prazo total do contrato é de 20 anos.
O início da construção do gasoduto é a etapa final de um processo que já dura quase 40 anos, pois os primeiros acordos sobre a obra datam de 1958. Fernando Henrique observou que a obra é parte de um processo mais amplo de integração da economia brasileira na América do Sul. Ele disse que, com o acordo, as economias do Brasil e da Bolívia passam a ter ‘‘uma ligação umbilical’’, e previu futuras conexões do gasoduto com a Argentina e o Peru.
Fernando Henrique lembrou que o gás boliviano, além de ser usado pelas indústrias, vai permitir o aumento do número de termelétricas no Brasil. Além disso, ele deve tornar viável a expansão do pólo petroquímico de Paulínia, onde deverão ser feitos investimentos de R$ 3 bilhões nos próximos anos.
Nos 557 quilômetros em território boliviano o gasoduto será construído pelo consórcio Brown e Root-Murphy, e pelo Consórcio Petrolero Boliviano. No Brasil, onde a obra terá 2.593 quilômetros de extensão, a construção ficará a cargo das empresas Camargo Corrêa, Brown e Root-Murphy, Techint Engenharia e Coest Construtora. Os tubos serão fornecidos pelo consórico Confab-Marubeni.

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