Assessor do governo prevê alta do milho em agosto
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de junho de 2001
Oswaldo Petrin De Londrina 
O preço do milho deve subir no segundo semestre, independente do resultado da safrinha, em fase final. Porém, se confirmadas as perdas previstas na safrinha (seca no Centro-Oeste e geadas no Sul e Oeste do Paraná), o quadro de alta pode se agravar. O cenário de comercialização do milho apresentado ontem, em Londrina, pelo assessor de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Silvio Farnese, aponta equilíbrio entre oferta e demanda prevendo. Em fevereiro, início da nova safrinha, os estoques devem estar muito baixos, entre 2 milhões e 2,5 milhões de toneladas, suficientes para atender o consumo durante apenas 45 dias.
Farnese falou ontem no 6º Seminário Nacional de Milho Safrinha, que faz parte do fórum Valorização da Produção e Conservação de Grãos no Mercosul, com a palestra Panorama Mundial da Produção e Comercialização de Milho.
Entre os fatores de sustentação de preços estão a) aumento do consumo interno, de 37 milhões de toneladas - cerca de 800 mil acima do ano passado, b) exportação de 2,7 milhões de toneladas, podendo chegar a 3,5 milhões até agosto/setembro, c) baixos estoques internacionais, que podem aumentar as chances de exportação. Podem ser acrescentados ainda a expansão da avicultura e suinocultura, tanto no mercado interno como no mercado externo.
Além desse quadro de demanda aquecida, ainda há os mecanismos do governo que ajudaram a enxugar o mercado. Farnese cita os contratos de opções, a compra de 1,3 milhão de toneladas, através de AGF e programa de remoção de milho do Centro-Oeste para o Nordeste, reduzindo a importação do produto.
O fiel da balança para uma disparada ou não dos preços será o resultado da safrinha. Uma quebra de produção dará margem a uma disparada geral dos preços já no início do segundo semestre.
A convergência de tantos fatores altistas podem remeter os preços do milho, ao produtor, a partir de agosto/setembro, a níveis que vão oscilar entre R$ 10,50 e R$ 11,50/saca CIF em Campinas (SP) e de R$ 9,00 a R$ 9,5/saca no Paraná. Mesmo com o mercado interno conseguindo se abastecer com a produção, a oferta e demanda estará muita ajustada.
As previsões do técnico do governo, com base em números que não devem fugir da realidade, confirma projeções feitas nos últimos dias pelos analistas de mercado.
O câmbio, com a desvalorizaão do real diante do dólar favoreceu as exportações. Perguntado se o mercado internacional continua aberto ao Brasil, Farnese observa que o Brasil não tem tradição no mercado externo de milho e que as exportações, este ano, resultam da perda de espaço dos Estados Unidos, face ao episódio do milho Starlink. No entanto, o milho brasileiro sempre terá boa aceitação por se tratar de produto de alta qualidade. A rejeição do mercado europeu ao milho modificado favoreceu o produto brasileiro.
Cerca de 500 pessoas, a maioria técnicos, participam do Seminário do Milho Safrinha, no Hotel Sumatra. A abertura, segunda-feira à noite, contou com a presença do assessor de política agrícola do Ministério da Agricultura, Silvio Farnese; da vice-governadora, Emília Belinati; do secretário da Agricultura, Antônio Poloni; do presidente do Iapar, Florindo Dalberto; do presidente da Abimilho, Nelson Kowalski, e do diretor da Embrapa, José Roberto Peres, entre outras autoridades. A promoção é da Associação Brasileira de Milho e Sorgo e Associação Brasileira de Pós-Colheita, com organização do governo do Estado, através do Iapar e apoio de várias instituições e empresas.


