Brasília - O chefe da assessoria econômica do Ministério do Planejamento, José Carlos Miranda, afirmou ontem que quando o governo conseguir ''dissolver a bolha inflacionária'', o Banco Central (BC) poderá promover ''intervenções pontuais'' no mercado de câmbio. ''O câmbio não vai flutuar tão livremente'', disse o economista, argumentando que a volatilidade do câmbio não é boa nem para os exportadores.
''É melhor ter um dólar a R$ 3,05 do que uma flutuação exagerada'', comparou Miranda, ressaltando que esse valor é apenas um exemplo e não um patamar pretendido pelo governo. Segundo ele, as projeções para 2003 são de uma taxa de câmbio média de R$ 3,33 por dólar, o que garantiria um superávit comercial de US$ 16 bilhões ''para cima''.
Os comentários foram feitos em entrevista, durante o seminário ''O Planejamento e a Nova Agenda de Desenvolvimento'', realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no Ministério do Planejamento. Miranda aposta ainda que, mantido o atual quadro de queda da inflação, o Conselho de Política Monetária (Copom) ''já vai começar a reverter a taxa básica de juros (Selic) a partir de junho''.
Para o chefe da assessoria econômica do Planejamento, a política atual do governo tem por objetivo dissolver a ''bolha inflacionária'' provocada pela depreciação do ano passado.

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