O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai abrir este mês uma linha de financiamento para a criação de agroindústrias em assentamentos rurais. ‘‘Devemos ter o modelo da nova linha pronto em 10 dias’’, disse ontem o diretor de Desenvolvimento Regional e Social da instituição, Paulo Hartung, em Vitória.
A nova linha de crédito foi acertada na terça-feira, em reunião do diretor do Bndes com o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Milton Seligman, e o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Pontal de Paranapanema, José Rainha Júnior, na sede do banco, em Brasília. O primeiro pedido de apoio à criação de agroindústrias já havia sido feito pela Confederação de Cooperativa de Assentados (Concrab), por meio do programa Comunidade Solidária.
A Concrab pediu recursos de R$ 10 milhões para apoio a assentamentos no Sul do País e no Pontal. ‘‘É possível atingir este valor’’, afirmou Hartung. ‘‘A proposta da entidade foi muito bem articulada’’, elogiou. Ele avisou, no entanto, que somente assentamentos que já têm cooperativas estabelecidas vão ser beneficiados.
Os assentamentos com maior nível de organização vão ser os primeiros a receber o dinheiro, como um programa-piloto, de acordo com o diretor do Bndes. O financiamento servirá tanto para a criação de agroindústrias quanto para ajudar na venda dos produtos das cooperativas. ‘‘A idéia é agregar valores aos produtos’’, disse Hartung. As condições de financiamento e estimativa de assentamentos beneficiados vão ser detalhados nos próximos 10 dias, de acordo com ele.
A linha a ser criada pelo banco vai além do pedido feito por Rainha. Ele contou, no Pontal do Paranapanema, que na reunião reivindicou a criação de uma linha de crédito para fornecer ‘‘capital de giro’’ para agroindústrias, mas apenas para os assentamentos do Pontal do Paranapanema.
De acordo com o líder sem-terra, a cooperativa dos militantes do MST já assentados na região necessita de ‘‘R$ 1 milhão a R$ 1,2 milhão’’ para capital de giro. Os outros recursos para a criação de implementação de agroindústrias serão fornecidos por outros programas governamentais, como o Programa de Crédito Extraordinário para Reforma Agrária (Procera), mantido pelo Incra, informou Rainha.

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