Assalariados vivem melhor, diz Ibope
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de junho de 1997
Cláudia Schuffner, Agência Estado, de São Paulo 
Um levantamento sócio-econômico da Grande São Paulo, o primeiro realizado pelo Ibope-NPD depois da queda da inflação, indica que a estabilidade da moeda promoveu ascensão social da população de menor renda. Em 1994, antes do Plano Real, 39% das pessoas residentes na Grande São Paulo pertenciam às classes D e E, de menor poder aquisitivo, e 61% integravam às classes A, B e C. Em janeiro deste ano, constatou-se aumento da população nos estratos mais ricos: 73% dos paulistanos pertenciam às camadas A, B e C, e 27% tinham padrão de vida considerado típico das classes mais pobres, D e E.
Embora a pesquisa tenha sido feita em região determinada, no caso a Grande São Paulo, especialistas garantem que o resultado pode ser extrapolado para outras regiões brasileiras, pois o poder de barganha em economia estável não varia muito de cidade para cidade. Ainda há uma chance muito forte dos assalariados do interior conseguirem uma vantagem no transporte, quando residem perto do emprego, por exemplo, e em determinados tipos de alimentos, mais baratos, quando produzidos na mesma região.
A pesquisa é uma espécie de microcenso feito com objetivo de avaliar o potencial econômico e o comportamento de consumo das famílias residentes nas principais regiões metropolitanas do País. Foram consultados na Região Metropolitana de São Paulo cerca 1.800 domicílios, amostra que reflete o comportamento de consumo de 4,3 milhões de lares da região. A metodologia do Ibope-NPD usada para dividir a população em classes sociais leva em conta a posse de um conjunto de bens duráveis, não apenas a renda auferida pela família.
Consumo Houve um estouro de vendas no caso dos fornos de microondas, aparelhos de CD e de videocassete. Segundo o levantamento, em 1994, 13% das famílias paulistanas tinham forno de microondas. No início do ano, cerca de 30% da população dispunham do eletrodoméstico. No caso dos aparelhos de CD, a participação aumentou de 9% para 40% no período. Já a fatia da população com aparelho de videocassete passou de 31% para 52%. No caso da geladeira e do freezer, o crescimento foi menos expressivo. Em 1994, 94% dos lares paulistanos tinham geladeira e 13% freezers. Neste ano, a fatia de cada um era de 97% e 17%, respectivamente.
O levantamento do Ibope-NPD revela também que, apesar da ascensão social, os eletroeletrônicos mais sofisticados não estão presentes nos domicílios mais pobres. As camadas D e E não detêm câmeras de vídeo, microcomputador e secretária eletrônica, por exemplo. Mesmo assim, cresceu a presença desses produtos nos lares mais ricos. Exemplo: 58% dos domicílios de classe A possuem microcoputadores e 30% têm aparelhos de fax; em 1994, a participação era de 27% e 7%, respectivamente.


