Assaí ganha Centro de Inovação Tecnológica Regional
Estrutura funcionará como uma incubadora para que projetos inovadores desenvolvidos na região se desenvolvam e ganhem o mercado
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de junho de 2020
Estrutura funcionará como uma incubadora para que projetos inovadores desenvolvidos na região se desenvolvam e ganhem o mercado
Mie Francine Chiba - Grupo Folha 
Desde que o CEEP (Centro Estadual de Educação Profissional) Maria Lydia Cescato Bomtempo, de Assaí (Região Metropolitana de Londrina), foi inaugurado, seis anos atrás, chamaram a atenção de empresas, entidades e lideranças os projetos inovadores desenvolvidos por alunos do Centro. É de lá, por exemplo, o projeto de uma cadeira de rodas e de um semáforo com comando de voz, e de uma bengala com sensor que detecta obstáculos para pessoas com deficiência visual. Com o início da pandemia, o CEEP também começou a confeccionar máscaras de proteção usando uma impressora 3D.
Para que esses projetos se desenvolvessem e ganhassem mercado, instituição de ensino, poder público e empresas se uniram para criar um ecossistema de inovação em Assaí, município de cerca de 15 mil habitantes. Esse ecossistema será materializado em um Centro de Inovação Tecnológica Regional, o Assainov, que será instalado no prédio do antigo Colégio Sesi. O espaço será mantido pela Prefeitura de Assaí. Enquanto durar a pandemia, no entanto, as atividades do novo centro serão realizadas de forma on-line com a ajuda do Sebrae, no site da Prefeitura de Assaí.
O Centro foi batizado com o nome de Yoitiro Hiraiwa, em homenagem ao avô de George Hiraiwa, empreendedor e articulador no desenvolvimento de ecossistemas de inovação no Paraná. A família de Hiraiwa é de Assaí.
O objetivo é encaminhar para esse centro projetos com potencial de desenvolvimento da região. A ideia é que o Assainov também receba eventos e capacitações para movimentar a economia da região, explica Aquiles Cesar Fernandes, diretor do CEEP.
As inscrições de projetos devem começar a partir de julho e, até outubro, os participantes passarão por uma trilha de 11 oficinas virtuais gratuitamente. Os projetos só avançam no programa se fizerem a entrega de atividades solicitadas a cada encontro. Os projetos que finalizarem a trilha serão encaminhados a uma consultoria e encorajados e se formalizarem e se incubarem no Assainov. Durante o período de incubação, os projetos passarão por mentoria para refinar o negócio até chegarem ao ponto de frequentarem rodadas de negócios, feiras e eventos de mercado, tudo de forma virtual enquanto durar a pandemia.
Quando as atividades puderem ser retomadas presencialmente, os negócios poderão desenvolver suas atividades dentro do centro. A expectativa é que o espaço físico do Assainov seja inaugurado no ano que vem. O lançamento virtual foi realizado na última quinta-feira (4) através de uma live na internet.
Para Aquiles Fernandes, o centro será mais um ativo que colocará a cidade em destaque. “O objetivo é fomentar tanto projetos quanto a capacidade criativa de professores e alunos e a economia da região, a geração de emprego. É mais um ativo para a cidade.”
José Romeu Amaral, consultor do Sebrae/PR no escritório de Cornélio Procópio, lembra que o CEEP já vinha se destacando como um local para desenvolvimento de soluções inovadoras para problemas da comunidade local devido à participação de alunos em hackathons, feiras e viagens a cidades consideradas “habitats de inovação”. “Começamos a perceber que o CEEP é um grande ativo de inovação de Assaí, porque tem no DNA essa ‘pegada’ de fazer projetos inovadores, achar solução para o que não tem no mercado.”
Foi a partir daí que o Comitê Gestor da Cidade Empreendedora da Assaí, formado pelo Sebrae, pela Prefeitura, pelo CEEP e empresários da região, decidiu pela implantação do centro, que funcionaria como uma incubadora de projetos inovadores da região, afirma Amaral.
“A gente acredita muito em uma parceria com o CEEP. Tem muitos alunos de lá que desenvolvem projetos que podem chegar ao ponto de serem comercializados”, destaca Wilson Rodrigues da Silva, empresário e presidente do Comitê Gestor. “Acreditamos em um trabalho sério e em um futuro bem vantajoso, dando oportunidade para surgirem jovens empreendedores através disso. Acredito que pode até surgirem pequenas empresas na cidade através de novas tecnologias, e através do Centro de Inovação pode-se auxiliar o comércio da cidade a inovar.”
George Hiraiwa lembra que o avô, homenageado pelo nome do centro, foi um dos pioneiros da cidade. “Chegou em Assaí em 1937, começou a plantar e depois virou comerciante. Era uma pessoa que sempre ajudava os outros, gostava de iluminar o caminho dos outros.” Para ele, o centro poderá se tornar um modelo para outros CEEP do Estado. “Mostra que a inovação pode ocorrer em qualquer lugar, não precisa ser de um grande centro como Londrina.”


