Ásia puxa queda da exportação em julho
Apesar de o governo insistir que o Brasil está conseguindo garantir um bom desempenho das exportações, a despeito da crise internacional, os dados consolidados da balança comercial de julho revelam que a crise está prejudicando as exportações brasileiras de uma série de produtos. Naquele mês, as exportações tiveram uma variação negativa de 5,1% em comparação com o mesmo mês do ano passado. As exportações somaram US$ 4,970 bilhões contra US$ 5,239 em julho do ano passado. Esta redução se deve principalmente à queda nas vendas para a Ásia, que recuaram 39,3% na comparação com julho de 97 (perda absoluta de US$ 350,7 milhões).
No acumulado de janeiro a julho, as exportações brasileiras apresentam um crescimento de 3,03% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), no entanto, revelam que o índice quantum (quantidade) das exportações cresceu 6,8%, com queda de 3,1% no preço. Este crescimento do índice quantum é praticamente igual ao índice previsto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para o crescimento do comércio mundial, que é de 6,7%, disse o secretário de Comércio Exterior, Maurício Cortes.
O melhor desempenho na pauta de exportações brasileiras continua sendo o dos manufaturados. A taxa de crescimento do índice quantum desses produtos no período de janeiro a julho foi de 11,3%, enquanto a elevação do preço no período foi de apenas 0,6%. Os produtos básicos apresentaram queda de 1,5% no índice quantum e de 9,2% no preço, enquanto o volume das exportações de semimanufaturados cresceu 6,4%, para uma queda no preço dos produtos de 2,1%.
As exportações brasileiras para a Rússia caíram 40,54% em julho, na comparação com o mesmo mês em 97, de acordo com os dados do governo. As vendas para o Grupo dos Cinco (Coréia do Sul, Malásia, Indonésia, Tailândia e Filipinas) recuaram 58,97%, enquanto as exportações para o Japão caíram 34,03% e, para a China, 51,46%.
A análise dos dados do comportamento da balança comercial em julho mostram que os efeitos da crise asiática afetaram fortemente as exportações de produtos básicos e semi-elaborados. As vendas de produtos básicos recuaram 21,2% e a de semimanufaturados, 0,6%, na comparação com julho de 97.
De acordo com a análise do Ministério da Indústria, Comércio e Turismo (Mict), o mau desempenho das vendas de soja registrado no mês é explicado pela redução das compras por parte dos países asiáticos, como China, Indonésia, Taiwan, Coréia do Sul, Filipinas e Malásia. Além disso, os Países Baixos, que são o principal mercado da soja brasileira no exterior, também reduziram suas importações.
A crise também afetou as vendas de semimanufaturados de ferro e aço. As receitas com as exportações desses produtos caíram de US$ 119 milhões para US$ 88 milhões em julho. Houve uma retração de 83% nas importações feitas pelos países asiáticos, sobretudo Tailândia, Taiwan, Malásia e Coréia do Sul, que reduziram suas compras de US$ 42 milhões para US$ 7 milhões.
As vendas de laminados planos caíram 95%, para Ásia e Japão, segundo informa o boletim de análise da balança comercial. No global, porém, a queda nas vendas do produto foi de 21,7%, graças ao estabelecimento de novos mercados para o produto. Se, por um lado, a Ásia importou menos, por outro lado as vendas para a União Européia cresceram 77,8%, saindo de US$ 9 milhões para US$ 16 milhões.
O Japão foi o principal responsável também pela queda nas vendas do alumínio em bruto. As importações daquele país recuaram de US$ 79 milhões em julho de 97 para US$ 17 milhões em julho passado, uma redução de 78,4%.
O produto brasileiro cujas exportações mais sofrem com as dificuldades enfrentadas pela Rússia é o açúcar refinado. Em julho, as exportações caíram 33% na comparação com julho do ano passado, com as receitas recuando de US$ 103 milhões para US$ 69 milhões.
Com a crise, a participação da Ásia na pauta exportadora brasileira caiu de 17,03% para 10,89% em julho. O principal mercado na região, o Japão, reduziu suas compras de US$ 335,2 milhões para US$ 221,5 milhões. As compras de alumínio caíram de US$ 79,5 milhões para US$ 17,2 milhões e as de soja, de US$ 34,2 milhões para US$ 4,9 milhões. Há queda nas exportações para a Ásia, mas já há um processo de canalização da produção brasileira para outros mercados, disse Côrtes.





