Ásia deve reduzir crescimento da AL
Robyn Beck/France PresseMercado tensoOperador de Hong Kong assiste a bolsa
despencar 5,72%. O yuan, moeda chinesa, está fixado em 8,28 unidades por dólar, e autoridades do país admitiram ontem, pela primeira vez, possibilidade de desvalorizar o dinheiro antes de 1999A crise asiática, que vem se agravando com a recessão do Japão e com a desvalorização do iene, e os ajustes macroeconômicos internos dos países latino-americanos para enfrentar esse problema vão provocar uma queda de 2,16 pontos porcentuais no crescimento econômico da região este ano. A conclusão é do Sistema Econômico Latino-Americano (Sela), o maior órgão de integração regional, com sede em Caracas, que serve de foro consultivo de 28 países-membros do Continente.
O recrudescimento da crise na Ásia não deixará de fazer sentir seus efeitos na economia da região, diz o último informe econômico do Sela, cujos dados se centram mais no Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Peru, México e Venezuela. O estudo Impacto da crise asiática na América Latina prevê um crescimento de 3,54% na economia latino-americana este ano, o que representa uma retração de 2,16 pontos porcentuais em relação à expansão em 97 (5,5%), o melhor resultado nos últimos 25 anos.
Ontem o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, referiu-se à crise econômica na Rússia e na Ásia e à recessão no Japão em seu discurso de abertura da cúpula da União Européia, em Cardiff, País de Gales. Blair afirmou que a economia mundial enfrenta os maiores riscos das últimas duas décadas. As economias fora da Ásia não vão sair ilesas da crise, disse o primeiro-ministro, segundo seu porta-voz. Blair afirmou que a União Européia e os EUA representam dois pilares de estabilidade econômica, que têm respondido da forma correta à crise, promovendo e adotando políticas de inflação e déficits baixos.
Os mais pessimistas acham que a crescente desvalorização do iene acabará destruindo de vez as economias asiáticas afetadas pela crise monetária de 97 e colocar o mundo numa deflação semelhante a de 29.
Publicamente, os burocratas do MOF (o ministério de Finanças do Japão), do Banco do Japão (o BC japonês) e o primeiro-ministro Ryutaro Hashimoto dizem estar profundamente preocupados e que tomarão alguma atitude a qualquer momento. Mas há sinais de que o governo teria desistido de agir porque concluiu que qualquer tentativa seria um desperdício de recursos ou porque a atual situação, de certa maneira, é útil para sua economia.





