Ascensão social chega a mais de 13 milhões de pessoas
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segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Alessandra Saraiva<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro- Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que, de 2001 para 2007, 13,8 milhões de pessoas subiram de faixa social. Nessa escalada, a maioria se originava da base da pirâmide: 10,2 milhões saltaram da camada de baixa renda (entre R$ 0 e R$ 545,66 de ganho mensal por família) para a de renda média (entre R$ 545,66 e R$ 1.350,92). O restante, 3,6 milhões de pessoas, subiram da faixa de renda média para a alta renda (acima de R$ 1.350,82).
A informação é do economista do instituto, Ricardo Amorim, um dos pesquisadores que anunciaram os resultados do levantamento Pnad-2007: Primeiras Análises, estudo que realiza um aprofundamento dos dados apurados pela Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD) de 2007, divulgada na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Nesse período (de 2001 para 2007), começamos a ter uma mobilidade social ascendente que não tínhamos faz tempo, assinalou o economista. Para ele, não foi somente uma questão de talento individual que levaram essas pessoas a subirem os degraus sociais. Talento individual é importante, mas não se desenvolve sem as condições sociais necessárias, argumentou.
De acordo com o pesquisador, o salto da base da pirâmide para a camada de renda média foi puxado basicamente por programas de assistência, e de transferência de renda além de oportunidades de emprego geradas no período. Já a subida da camada de renda média para a camada mais elevada foi gerada basicamente por aumento no volume de empregos formais, e o bom ritmo de crescimento econômico.
A ascensão social também parece estar concentrada nos núcleos urbanos. Do total de pessoas que ascenderam da camada mais pobre até a faixa de renda média, 82% eram de área urbana. Segundo o instituto, do total de pessoas de camada de renda média que ascenderam para a faixa mais elevada de renda, no período, 90% eram de origem urbana.
Em resumo, o instituto informou que o perfil da pessoa que era da base da pirâmide e subiu para a camada média de renda da população, de 2001 para 2007, é não-branco; com escolaridade até a quarta série do ensino fundamental; com carteira assinada e urbano, morador da região Nordeste.
Já o perfil do indivíduo que subiu da camada de renda média para a mais elevada é branco; com escolaridade melhor, acima da quarta série; com carteira assinada, urbano e morador da região Sudeste.
O pesquisador observou ser preocupante o perfil de ascensão social, que mostra uma concentração muito grande da ajuda nos programas de transferência de renda como motor de ascensão social entre os mais pobres. A queda na desigualdade, bem como a queda na pobreza, está bem dominada por programas de transferência de renda, comentou.


