A tecnologia está mudando o varejo. Consumidores conectados por meio de computadores, tablets e smartphones exigem novas experiências de compra. As lojas on-line derrubam fronteiras e transformam concorrências antes locais em mundiais. "Vai morrer o varejo físico que não traz relevância ao consumidor, porque só entregar produto o e-commerce também faz, sem que ele precise sair de casa".
A declaração foi dada por Daniel Zanco, sócio-fundador da Universo Varejo, empresa de tecnologia e consultoria para varejo e franquias, ontem, durante a abertura da 3ª Semana do Empreendedor Digital, em Londrina. Zanco destaca que o e-commerce cresceu 26% em faturamento do primeiro semestre de 2013 para o primeiro semestre deste ano, roubando fatia do varejo físico. Em todas as classes e idades, 63 milhões de pessoas fazem compras na web.
"Se os hábitos mudam, o varejo tem de acompanhar e sairá na frente aquele que conseguir prever as mudanças", alerta. Segundo o consultor, algumas tendências podem ser visualizadas para a perpetuação do varejo tradicional, como a agregação de todos os canais de compra: físico, on-line e mobile (omnichannel, no termo em inglês).
"Pesquisa comprova que quem compra nos três canais consome seis vezes mais que na loja física", expõe ele. A popularização dos smartphones deve ser usada a favor do varejista, já que, de acordo com Zanco, 25% dos consumidores checam as redes sociais enquanto realizam compras e 55% deles estão pedindo ou compartilhando informações sobre os produtos.
Personalização do atendimento nos pontos de venda e nos contatos virtuais, como e-mails marketing, também deve ser implementada, bem como práticas sustentáveis que associem valores positivos à imagem da empresa. Zanco classifica a tecnologia como aliada do varejista no objetivo de melhorar a experiência de compra e os processos internos da loja.
"Algumas das inovações tecnológicas têm custo razoável, basta potencial de melhoria de operação, de relacionamento com o consumidor. O grande desafio não é ter o software e, sim, gerar conteúdo para ele", ressalta. Para o consultor, o varejo ainda carece de sistemas de gestão e administração eficientes, uma herança de períodos econômicos e sociais menos amistosos, onde esses entraves não eram percebidos.
"Nosso passado explica, pela alta inflação e o alto percentual de informalidade; esse contexto escondia muito a ineficiência do varejista", pondera.

Concorrência
O crescimento das grandes empresas do e-commerce preocupa alguns varejistas, por conta dos preços praticados e do baixo custo de manutenção de uma loja on-line. No entanto, as vendas na web ainda estão em fase de amadurecimento no Brasil e não devem ser motivo de receio, já que tomam uma fatia de cerca de 4% do varejo nacional. Nos Estados Unidos, a fatia chega a 10%.
"O e-commerce cresce independente da situação econômica do País porque ainda está em amadurecimento, roubando a fatia de mercado que será dele. Algumas categorias vão sofrer mais, mas acho que ele vai impulsionar uma qualificação do varejo físico", aponta Zanco. Nas economias maduras, ressalta Zanco, o varejo físico continua firme e com grande representatividade, o desafio está em ser relevante e criar diferenciais que atraiam e fidelizem os consumidores.

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