São Paulo - Michael Klein, diretor das Casas Bahia, está insatisfeito com o desempenho da rede este ano. ''Até agora, as vendas não estão como eu gostaria que estivessem.'' A uma semana do Natal, o diretor da maior rede de eletrodomésticos, eletrônicos e móveis do País resume o clima do comércio, que aposta no deslanche dos negócios esta semana. Cauteloso, Klein diz que tudo está caminhando para atingir a meta de vendas traçada para este ano, de R$ 12 bilhões, mas já admite o empate. ''Se não se concretizar a previsão, repito o ano passado.'' A seguir, os principais trechos da entrevista.

Agência Estado - Como o estão as vendas no ano?
Michael Klein - Encerramos o primeiro semestre com queda de 5% no faturamento em relação ao mesmo período de 2005. A partir de setembro começou a recuperação. Fechamos o mês com acréscimo de 13% ante 2005. Em outubro a alta foi de 17% e em novembro, de 8,5%. Até novembro já estamos empatados com o ano anterior. Vendemos no ano 230 mil computadores, entre notebooks e computadores de mesa, com crescimento de 105% ante o ano passado; 2 milhões de aparelhos de TV, o mesmo volume de 2005, e 3,5 milhões de celulares, 600 mil a menos que no ano anterior.

AE - Será possível atingir a meta de faturar R$ 12 bilhões em 2006?
Klein - Tudo está caminhando para isso. Em dezembro de 2005, faturamos R$ 1,2 bilhão em dois sábados nas vésperas das festas de fim de ano. Neste ano, acreditamos que vamos chegar a R$ 1,5 bilhão, porque há um sábado antes do Natal e outro antes do ano novo. Nesse período, cada sábado vende cerca de R$ 100 milhões. A Super Casas Bahia faturou até o fim de novembro 30% acima do mesmo período de 2005. Na Super Casas Bahia estamos caminhando para algo superior a R$ 80 milhões, que foi o que vendemos em 2005. Mas até agora as vendas não estão como eu gostaria que estivessem. Se não se concretizar a previsão otimista, repito o ano passado. Estou garantido que vou manter. Não perdi nada. O lucro também será mantido em R$ 200 milhões.

AE - Como será possível manter o lucro se os preços caíram?
Klein - É que a produtividade da rede aumentou. Foram demitidos 2 mil funcionários. Tenho mais lojas e menos gente.

AE - Por que a rede passou a exigir entrada no crediário?
Klein - Porque a população agora está com o dinheiro, recebeu a primeira parcela do 13º salário. Prefiro que o consumidor dê uma entrada e gaste comigo.

AE - A inadimplência continua alta?
Klein - Está em 9% dos créditos.

AE - E as vendas de móveis?
Klein - Caíram bastante. A participação dos móveis no mix de produtos, que era de 30%, caiu para 22% neste mês.

AE - Por que as vendas caíram?
Klein - Porque não há incentivos.

AE - Os planos para 2007 estão mantidos?
Klein - Esperamos ampliar em 5% o faturamento, uns R$ 500 milhões a mais que neste ano. Os volumes de vendas das Casas Bahia são tão grandes que crescer fica cada vez mais difícil. Ampliar o faturamento em R$ 500 milhões num só ano equivale às vendas de uma rede como Ricardo Eletro.

AE - O sr. está mais cauteloso?
Klein - A empresa está tão grande que não posso errar. Não posso abrir e fechar loja.

AE - Quantas lojas estão programadas para o ano que vem?
Klein - Vamos encerrar este ano com 540 lojas. Abrimos 50, fechamos 9. Começamos o ano com planos de abrir 100 lojas, depois reduzimos para 70 e depois para 50. Para 2007, entre abertura e fechamentos, teremos saldo de 40 novas lojas.

AE - E quanto os planos de transformar parte da rede em lojas de departamento?
Klein - Estão mantidos. Estamos ampliando o mix de produtos nas lojas da Praça Ramos e de São Caetano.

AE - E a venda pela internet?
Klein - Primeiro vou vender computador, depois ampliar a base de cartão de crédito e depois vender pela internet. A venda plena via internet faz parte dos planos para 2008.

AE - Como estão os preços no Natal?
Klein - Nunca estiveram tão baixos. No ano passado, uma TV de 29 polegadas custava R$ 1 mil; hoje está em R$ 599. Por isso temos de fazer promoções para ampliar os volumes.

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