As relações de trabalho precisam ser mais flexíveis
A economia brasileira tem passado por uma revolução nos últimos anos. Em pouco mais de uma década, a inflação que batia três dígitos foi controlada, o mercado brasileiro se abriu para o mundo, as empresas estão se modernizando, produzindo tecnologia. Porém, apesar dos bons ventos, ainda existem alguns gargalos que precisam ser solucionados. Um deles e talvez o mais emergencial seja o da qualificação da mão-de-obra.
Muitas empresas não conseguem contratar por não encontrar no mercado funcionários com a qualificação necessária para a atividade. Na outra ponta uma grande massa de pessoas com pouca ou nenhuma qualificação segue na fila do desemprego.
''É comum empresários conversarem comigo dizendo que treinaram um funcionário, ofereceram cursos de aperfeiçoamento e quando ele estava apto à função, foi levado por um concorrente que ofereceu um pouco mais de salário. Está ocorrendo uma disputa por funcionários qualificados. Pelo lado do empregado isto é ótimo, pois significa mais e melhores salários. Mas as empresas que não conseguem pagar acabam ficando na mão'', diz o presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Martins Ribeiro.
O governo brasileiro investe muito pouco em qualificação da mão-de-obra, bem menos do que o necessário para suprir a demanda das empresas e isto acaba por prejudicar a produtividade e ajuda a reduzir o desempenho da economia que poderia ser bem mais favorável. Como isso não acontece, diz Ribeiro, as empresas precisam continuar e ampliar os treinamentos e a formação de mão-de-obra e os funcionários, por sua vez, devem tirar o traseiro da cadeira e buscar qualificação também.
Outro empecilho, segundo Ribeiro, que afeta a economia é a falta de flexibilidade da Consolidação das Leis Trabalhistas, a famosa CLT. A CLT tem mais de 60 anos e foi criada no governo do presidente Getúlio Vargas. De lá para cá, houve pequenas mudanças, mas a base criada em 1943 é a mesma. ''A relação entre trabalhadores e donos de empresas sempre foi e sempre será conflitante. Porém, a lei precisa ser justa com os dois lados.
Para o advogado Caio Marcelo Rebouças de Biasi, assessor Trabalhista do Sescap-Ldr, é importante discutir a flexibilização das relações de trabalho. Segundo ele, já estão havendo algumas mudanças e as negociações entre patrões e empregados têm evoluído apesar de não ser na velocidade que muitos gostariam. ''A discussão é importante, mas é sempre bom lembrar que não se pode retirar direitos já adquiridos'', diz Biasi. Entre as sugestões do advogado estão a ampliação do período de contrato temporário e a redução dos encargos no momento da demissão.
Além da flexibilização das leis trabalhistas, o presidente do Sescap-Ldr, diz que é importante que o governo faça estudos para desonerar a folha de pagamento. ''Os encargos trabalhistas representam praticamente 100% sobre o valor dos salários. Para as micro e pequenas empresas os encargos são um grande impeditivo no momento da contratação'', afirma Ribeiro.
Fonte Sindicado das Empresas de Serviços, Contabilidade, Auditoria e Perícia de Londrina e Região (Sescap-Ldr)





