As perspectivas
Antonio Carlos Borges, diretor executivo da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, tem as suas conclusões e um levantamento de dados sobre o setor na Região Metropolitana de São Paulo - referencial para o País. Em entrevista à Folha (por telefone) ele destaca:
As vendas, no Natal, serão 13% inferiores às do ano passado. É uma estimativa. Antes do pacote calculávamos queda de 6% do faturamento real.
Pelo menos 40% dos lojistas ainda não compraram para o final de ano e, aparentemente, não vão comprar. Acreditam que o estoque da casa dá para atender a demanda. Há muito tempo o comerciante vem trabalhando com estoque baixo, porque a demanda vem caindo.
Na acomodação do mercado, o lojista vai vender com desconto, mas venderá menos a prazo para evitar maiores calotes. No ano passado, a inadimplência era 2% do faturamento da empresa. Desde o início do ano o índice vem subindo gradativamente. Hoje está em 6% do faturamento.
Os lojistas estão pagando para as administradoras de cartão de crédito taxas de 2% a 7% sobre as vendas. Apenas 16% das vendas na região metropolitana são feitas no cartão. O cheque pré-datado perdeu a liderança: hoje ele representa 35% do volume total das vendas. A compra à vista, 40%. Mas pode-se dizer que 90% das empresas ainda aceitam o pré-datado.
O comerciante vai refazer as suas contas, os seus projetos, analisar o mercado. Daqui a 15 dias, ou pouco mais, pouco menos, essa revisão vai bater na porta da indústria, que aí, sim, terá uma dimensão da crise no País.
Antes do pacote fiscal, preocupados com o ritmo da economia, recomendávamos cautela nos estoques, nos financiamentos, nos índices de inadimplência. Agora, com os juros altos e o ajuste fiscal, toda essa recomendação tem muito mais sentido. Os problemas dos empresários de hoje independem dos instrumentos da política interna. Dependem, sim, de como os asiáticos de forma geral resolvem os seus problemas. O momento é muito delicado, preocupante.





